A engenharia do sucesso: como o Republicanos do ES desenhou a maior vitória eleitoral de 2026

Na política do Espírito Santo, resultados históricos raramente são frutos do acaso. Eles nascem do cálculo frio, do momento certo de agir e, acima de tudo, da construção de alianças que convergem pragmatismo com capilaridade. O desempenho do Republicanos do ES nas eleições de 2026 não é apenas um feito estatístico, mas uma aula de engenharia partidária e articulação estratégica que coloca a diretoria estadual da legenda em destaque nacional.

Enquanto a sigla colheu pelo país um saldo expressivo — elegendo 3 governadores, 2 senadores e 41 deputados federais —, nenhuma unidade da federação entregou proporcionalmente o que a gestão de Erick Musso conquistou no solo capixaba: a vitória para o Governo do Estado e para o Senado Federal, somadas a cadeiras na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.

Para compreender o desfecho vitorioso de 2026, é preciso voltar a 2023, quando um triângulo estratégico começou a ganhar forma no tabuleiro político estadual: Erick Musso, Lorenzo Pazolini e Evair de Melo.

Ponto de Inflexão (2023-2024): a engenharia da chapa em Vitória

Delmaestro (sec.geral do PP), Da Vitória (presidente do PP), Pazolini, Cris, Erick (presidente do Republicanos do ES) e Evair
Delmaestro (sec.geral do PP), Da Vitória (presidente do PP), Pazolini, Cris, Erick (presidente do Republicanos do ES) e Evair

Em 2023, o então prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, ao lado de Erick Musso, desenhava o caminho para a sua reeleição na capital. Do outro lado, o deputado federal Evair de Melo — à época ainda no Progressistas — vivia uma situação singular: mantinha uma caminhada bastante própria e não escondia seu incômodo com a aproximação do Progressistas com a gestão do governador Renato Casagrande (PSB).

Como a administração pazolinista já mantinha clara distância do Palácio Anchieta, o ambiente para a convergência de forças era ideal.

Foi justamente de Evair o “empurrão” decisivo para trazer Cris Samorini — então presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) — para o centro do debate.

O estímulo de Evair garantiu a filiação de Cris ao Progressistas, consolidando a composição de vice na chapa com Pazolini em 2024. A tacada foi precisa: a união entre a força de gestão de Pazolini e a credibilidade do setor produtivo representada por Cris Samorini resultou numa vitória avassaladora ainda no primeiro turno em Vitória.

Caravana do interior: o pacto de 2025

Com o sucesso da capital chancelado nas urnas, o trio renovou os laços em janeiro de 2025 com o olhar fixo no pleito de 2026. A aliança consolidava papéis muito bem definidos: a experiência e a visão analítica de Evair de Melo, a capacidade de entrega e a aprovação executiva de Lorenzo Pazolini, e a força de articulação de Erick Musso.

O movimento seguinte foi cair em campo. O pontapé inicial dessa “peregrinação” capixaba aconteceu na Festa do Tomate, em Alto Caxixe, Venda Nova do Imigrante. Daquele momento em diante, o trio não perdeu agenda no interior. De distritos a grandes feiras agropecuárias, de celebrações tradicionais a comunidades rurais e aldeias, a presença de Pazolini, Erick e Evair tornou-se constante e ostensiva.

Houve uma via de mão dupla estratégica perfeitamente sintonizada: Evair abriu as portas do interior e entregou a Pazolini a estrutura orgânica da agricultura e das bases regionais que construiu ao longo de anos de mandato. Em contrapartida, Pazolini assegurou que o parlamentar estivesse presente em cada grande anúncio, entrega e agenda de impacto na capital.

O resultado nas urnas e o legado do Republicanos do ES

A engenharia do sucesso: como o Republicanos do ES desenhou a maior vitória eleitoral de 2026
Na comemoração da eleição de Pazolini governador, Erick Musso (azul) com Evair, Pazolini e Paula Pazolini

Quando a apuração de 2026 terminou, a fotografia das urnas revelou a força desse arranjo. O Republicanos no Espírito Santo não apenas conquistou o Governo do Estado e uma vaga no Senado, mas transformou o estado na vitrine mais eficiente do partido em todo o Brasil.

Muitos atores políticos contribuíram para esse cenário, mas é inegável que o protagonismo da vitória pertence à trinca composta pelo tino político de Erick Musso, pela densidade eleitoral de Lorenzo Pazolini e pela leitura territorial de Evair de Melo.

O Republicanos capixaba provou que, quando o comando partidário opera com pragmatismo e sinergia, o resultado deixa de ser uma aposta e passa a ser uma consequência natural do trabalho de base. Uma lição de política prática que entrará para os manuais de campanha do Estado.

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