Assunto bastante debatido nas eleições 2026 para o Governo do Espírito Santo, ter as obras paralisadas sempre foi a grande preocupação dos prefeitos capixabas. Se os maiores investimentos nas cidades de Vila Velha e Cariacica, na Grande Vitória, por exemplo, são realizados pelo Estado, imagine nos municípios do interior… Além da estrutra das cidades, com as chegadas ou reformas de escolas e unidades de saúde, a mobilidade, segurança e a economia são diretamente impactadas pelos investimentos estaduais em intervenções estruturais.
Durante a campanha e após sua vitória, o governador eleito, Lorenzo Pazolini (Republicanos) se comprometeu a não paralisar qualquer obra em andamento. Contudo, informações dão conta que uma série de obras anunciadas estão sem empenho. Isto é, sem dinheiro reservado.
O cruzamento do relatório oficial de rodovias com os dados do Portal da Transparência revela um passivo bilionário e um gargalo administrativo que afeta a infraestrutura, a educação e a cultura capixaba.
Raio-X da paralisia no Estado
Já pelo Portal da Transparência é possível ver que o Espírito Santo acumula 32 empreendimentos com status de “Paralisada”, somando R$ 333,29 milhões em investimentos interrompidos.
O setor de Infraestrutura e Transportes concentra o maior volume de contratos parados, com 15 intervenções suspensas que chegam a R$ 164,25 milhões. Esse bloqueio atinge desde grandes obras de mobilidade urbana, como as intervenções complementares do Corredor Sudeste em Cariacica (R$ 64,26 milhões) e a implantação do Contorno de Apiacá (R$ 25,42 milhões), até trechos viários em Venda Nova do Imigrante (R$ 19,99 milhões) e projetos de pontes e acessos em Marataízes, Aracruz e Nova Venécia.
No campo cultural, o Estado lida com o maior valor individual paralítico: o emblemático Cais das Artes, em Vitória. A obra principal exige R$ 127,36 milhões para a sua conclusão, somando-se a outros R$ 3,85 milhões travados na prestação de serviços de gerenciamento e fiscalização do projeto.
O impacto social mais disperso, contudo, surge na Educação, onde 9 projetos escolares estão interrompidos, superando R$ 28,97 milhões em investimentos paralisados. Esse número traduz-se em canteiros abandonados de reformas, ampliações e reconstruções de colégios estaduais em municípios como Guaçuí (R$ 12,01 milhões), Boa Esperança (R$ 6,87 milhões), Vitória (R$ 3,08 milhões na EEEM Gomes Cardim e R$ 219 mil na subestação da SEDU), Cachoeiro de Itapemirim (R$ 1,84 milhão) e Vila Velha (R$ 1,98 milhão na CEEFMTI Assisolina Assis Andrade).
A lista de paralisações estende-se ainda à Agricultura, com a pavimentação de trechos rurais em Muniz Freire (R$ 7,54 milhões) e melhorias na Ceasa de São Mateus; à Segurança Pública, com obras em batalhões da Polícia Militar em Pedro Canário e Guaçuí; além de estudos de urbanização e meio ambiente em Guarapari, Piúma e Santa Teresa.
Malha rodoviária: obras ativas e gargalos recorrentes
No setor rodoviário, a planilha de acompanhamento oficial aponta um volume expressivo de recursos em andamento, com R$ 1,80 bilhão já investido em obras ativas de rodovias e um saldo contratual a executar de R$ 2,73 bilhões. Apesar desse fluxo financeiro, a execução física enfrenta obstáculos contínuos.
As obras de restauração e contenção da erosão costeira nas praias de Piúma (contrato de R$ 65,31 milhões) e na Curva da Baleia, na Serra (contrato de R$ 17,43 milhões), estão com os canteiros parados à espera de licenças ambientais. Em outras frentes, o entrave é jurídico e administrativo: a reabilitação da ES-130, no trecho entre Montanha e a Divisa ES/MG (orçada em R$ 69,45 milhões), teve o contrato rescindido e exige tratativas para a convocação dos demais concorrentes da licitação. Paralelamente, grandes lotes de pavimentação em CBUQ para a manutenção preventiva da malha estadual somam R$ 879,59 milhões aguardando a assinatura de contratos.
O desafio da transição e a gestão do orçamento
O futuro governador precisará reorganizar as prioridades orçamentárias assim que assumir o Palácio Anchieta. Além de gerir os R$ 333,29 milhões em obras diretamente paralisadas, o novo governo assumirá a responsabilidade de conduzir, conforme dados do Departamento de Edificações e de Rodovias (DER-ES), R$1.062.293.062,00 de obras de rodovias a contratar, R$ 1.128.393.949,13 em processo licitatório, bem como R$ 68.118.792,85 paralisadas.
O principal desafio da nova gestão será equilibrar a engenharia financeira e a segurança jurídica: antes de abrir frentes de trabalho para novos projetos, será preciso destravar licenças ambientais, renegociar contratos e garantir a conclusão de escolas, pontes e rodovias que hoje continuam paradas no meio do caminho.
A reportagem procurou o Governo do Estado, mas até o fechamento ninguém retornou para falar sobre empenho ou paralisação das obras.
O empenho de uma obra pública é o ato administrativo pelo qual o governo separa e reserva um valor do orçamento para garantir que haverá dinheiro disponível para pagar a construção ou etapa da obra. Conforme a Lei Federal nº 4.320/1964 (Art. 58) , é o primeiro estágio da despesa pública . Ele impede que esse dinheiro seja usado para outro propósito










