Deputado aciona órgãos de controle contra atos de R$ 8,6 mi e suspensão de tecnologia em presídios do ES

O deputado estadual Alcântaro Filho (Republicanos) protocolou, no último dia 3 de novembro de 2026, quatro ofícios dirigidos ao Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) e à Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont) questionando decisões administrativas adotadas pelo Poder Executivo nas áreas de segurança pública e meio ambiente.

As representações miram dois pontos centrais: a interrupção repentina de serviços de tecnologia essenciais no sistema penitenciário e a contratação direta — sem processo licitatório — de uma empresa multinacional por R$ 8,6 milhões para estudos de concessão de parques estaduais.

Apagão tecnológico nos presídios

Deputado aciona órgãos de controle contra atos de R$ 8,6 mi e suspensão de tecnologia em presídios do ES
Foto: Divulgação SEJUS

No âmbito da segurança pública, o parlamentar questiona a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) pela suspensão, iniciada em 1º de novembro de 2026 e com prazo inicial de 30 dias, dos contratos de uso de câmeras corporais, rastreamento de viaturas e biometria facial nas unidades prisionais capixabas.

A medida foi fundamentada pela Sejus sob a alegação de “restrições orçamentárias” e necessidade de reavaliação dos contratos administrativos. Contudo, nos Ofícios 092/2026 (encaminhado ao TCE-ES) e 093/2026 (à Secont), Alcântaro Filho argumenta que a interrupção abrupta fere o Princípio da Continuidade dos Serviços Públicos e coloca em risco a segurança de servidores e a fiscalização das unidades.

Ao Tribunal de Contas, o deputado requereu a instauração de procedimento de auditoria nas contas da pasta de 2026, a citação dos gestores envolvidos para apresentarem pareceres financeiros que respaldaram o corte e a concessão de medidas cautelares para a retomada imediata do monitoramento tecnológico.

O impasse dos parques: R$ 8,6 milhões sem licitação

Deputado aciona órgãos de controle contra atos de R$ 8,6 mi e suspensão de tecnologia em presídios do ES
“Lagoa de Caraís (Paisagem) fotografado em Guarapari, Espírito Santo – Sudeste do Brasil. Bioma Mata Atlântica. Registro feito em 2007.”

A outra frente de apuração trata da contratação da multinacional Ernst & Young (EY) pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) e pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). O contrato de R$ 8,6 milhões tem como finalidade a modelagem do programa de concessão de parques estaduais à iniciativa privada — caso que já havia entrado no radar de investigação do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES).

Nos Ofícios 090/2026 (TCE-ES) e 091/2026 (Secont), o mandato parlamentar argumenta que serviços de consultoria técnica contam com amplo mercado competitivo, o que afastaria a fundamentação legal de dispensa ou inexigibilidade de licitação com base na Lei nº 14.133/2021. Além disso, questiona-se o valor cobrado e o possível desvio de finalidade por terceirização, alegando que o corpo técnico de servidores efetivos da Seama e do Iema poderia coordenar os estudos.

Por outro lado, o histórico da contratação revela posicionamento antigo do Poder Executivo. Em posicionamentos oficiais emitidos no início de 2024, quando os estudos com a Ernst & Young foram apresentados no Palácio Anchieta, a Seama sustentava que a contratação direta ocorreu em total conformidade com os órgãos de controle e respaldada por pareceres da Procuradoria-Geral do Estado (PGE/ES), justificando a escolha pelo porte global e especialização da empresa.

À época, o secretário de Estado do Meio Ambiente, Felipe Rigoni, garantiu que os parques estaduais — incluindo Unidades de Conservação como Pedra Azul, Itaúnas, Paulo César Vinha, Forno Grande, Mata das Flores e Cachoeira da Fumaça — “não serão privatizados”, permanecendo como ativos permanentes do Governo. O plano previa a concessão focada na exploração de uso público (como visitação e recreação) com leilão projetado na Bolsa de Valores (B3), mantendo a fiscalização ambiental estritamente sob comando do Iema.

As secretarias de Justiça e Meio Ambiente foram procuradas, mas não respoderam os questionamentos enviados pela reportagem

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas