O Espírito Santo poderá receber um data center voltado à inteligência artificial, com investimento estimado em R$ 7,4 bilhões, em Baixo Guandu, no Noroeste do Estado. Diante da dimensão do empreendimento e dos possíveis impactos socioambientais, a deputada estadual Camila Valadão (PSOL) cobra a realização de consulta e audiência pública para que a população participe das discussões sobre a instalação do complexo.
O projeto, desenvolvido pela empresa capixaba Line Solutions, prevê a instalação de um centro de processamento de dados com capacidade inicial de 100 megawatts (MW). A estrutura integra o chamado Projeto Rubi, que também contempla um condomínio logístico intermodal e uma área destinada à instalação de indústrias. Ao todo, o complexo ocupará aproximadamente 11 milhões de metros quadrados.
Para cobrar a participação da população, Camila apresentou uma indicação à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), solicitando a realização de uma consulta pública, na modalidade de reunião participativa, e de uma audiência pública para apresentação do empreendimento e dos estudos ambientais. A proposta também prevê ampla divulgação das atividades para garantir a participação dos moradores.
“Não podemos permitir que um projeto desse tamanho seja discutido apenas entre empresas e governo, sem ouvir quem vive no território. Estamos falando de um empreendimento que pode transformar a realidade de Baixo Guandu, com impactos sobre a água, o meio ambiente e a vida da população. É fundamental que as pessoas tenham acesso aos estudos, possam fazer perguntas e participar das decisões sobre o futuro da cidade”, afirmou a deputada.

Uma das principais preocupações apontadas pelo mandato é o consumo de água necessário para o funcionamento do data center. A proximidade com o Rio Doce e com a Usina Hidrelétrica de Mascarenhas está entre os fatores considerados para a escolha do município. Entretanto, segundo a parlamentar, ainda não há informações suficientes sobre o manancial que será utilizado, o volume previsto para captação ou a existência de autorização para esse uso.
Além da participação popular, a deputada protocolou um Requerimento de Informações (RQI) direcionado à Seama e ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). No documento, solicita esclarecimentos sobre o licenciamento e os possíveis efeitos ambientais e sociais do projeto. Também questiona se foram apresentados estudos de impacto ambiental ou outros documentos relacionados ao empreendimento e, em caso positivo, pede acesso aos materiais.
Outro ponto levantado pela parlamentar é a previsão de geração de empregos. Embora o empreendimento anuncie centenas de vagas durante a construção, a expectativa é de um número significativamente menor de postos permanentes na fase de operação.
Na avaliação do mandato, a diferença entre as oportunidades temporárias e permanentes exige atenção aos possíveis efeitos sobre a infraestrutura municipal e os serviços públicos.
Com as iniciativas, Camila busca garantir que os moradores tenham acesso às informações e possam participar da discussão sobre os impactos do empreendimento antes das decisões sobre sua instalação.










