A disputa pelo Senado em 2026 tem entre seus personagens uma médica que pretende transformar a experiência acumulada no tratamento do câncer em uma agenda política voltada à prevenção. Kítia Perciano é a primeira suplente de Leonardo Monjardim (NOVO) e chega à eleição defendendo que informações sobre hábitos e fatores de risco sejam trabalhadas desde a escola.
A ideia de levar a prevenção para o ambiente escolar está entre as propostas que, segundo Kítia, foram discutidas com Monjardim. A intenção é inserir no aprendizado conteúdos relacionados à prevenção do câncer, numa tentativa de deslocar parte da atenção da saúde pública do tratamento para ações anteriores ao aparecimento da doença.
“A gente teve muitas ideias de incluir muitas dessas coisas no currículo escolar. Está dentro da nossa grade de propostas incluir no aprendizado, desde a tenra idade, como evitar o câncer”, afirma.
A escolha do tema não é circunstancial. Kítia construiu a carreira na oncologia em um período em que o diagnóstico de câncer ainda estava associado, em muitos casos, a poucas possibilidades de cura. Ela conta que decidiu seguir a especialidade justamente por enxergar nela um campo de pesquisa e inovação.
“Quando eu escolhi oncologia, a maioria das pessoas que tinham câncer falecia da doença. Era uma doença que tinha muito pouca chance de cura e ninguém queria fazer essa especialidade. Eu falei: é aí que vai ter a maior chance de pesquisa, de inovação”, diz.
Ao longo da carreira, acompanhou mudanças no tratamento, incluindo avanços no diagnóstico precoce, na quimioterapia, na radioterapia, na cirurgia e no desenvolvimento de medicamentos. A evolução tecnológica também alterou a relação entre os efeitos do tratamento e a qualidade de vida dos pacientes. “O tratamento não podia ser pior do que a doença”, afirma.
A atuação da médica não ficou restrita ao consultório. Ela participou da organização de jornadas, aulas e grupos de especialistas para levar ao Espírito Santo informações obtidas em congressos nacionais e internacionais sobre medicamentos, tecnologias e técnicas utilizadas no combate ao câncer.
A entrada na política, segundo ela, também está relacionada à experiência acumulada no contato com pacientes. Para Kítia, o atendimento médico permite observar problemas que ultrapassam o diagnóstico e atingem a rotina das famílias. Na campanha ao Senado, essa experiência passa a ser apresentada como uma possível agenda política. Prevenção, educação em saúde, ciência e inovação são os temas que Kítia pretende levar para a disputa, tendo como ponto de partida uma área em que passou décadas trabalhando: o tratamento do câncer.
A candidatura, assim, marca uma mudança de ambiente profissional. A médica que acompanhou a evolução dos tratamentos e passou a produzir conteúdo sobre prevenção agora tenta levar essa discussão para o campo das políticas públicas, defendendo que parte da resposta à doença comece antes de o paciente chegar ao consultório.










