A disputa pelo comando da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Vitória voltou a esquentar os debates no plenário durante a sessão ordinária desta quarta-feira (23). O clima pesou com trocas de acusações que cruzaram a linha da articulação política tradicional, trazendo à tona discursos inflamados sobre atropelo institucional e revelações de bastidores envolvendo acordos firmados em encontros informais.
Na tribuna, o vereador Dalto Neves (Solidariedade), candidato à presidência do Legislativo municipal, elevou o tom contra a atual condução do processo eleitoral interno. Dalto acusou o atual presidente da Casa, Anderson Goggi (Progressistas), de afrontar o Poder Judiciário ao resistir em pautar a matéria para votação e defendeu que o recurso à Justiça foi a única saída para assegurar o respeito às normas regimentais.
Para o parlamentar, a estagnação do processo reflete uma ingerência direta da gestão municipal na dinâmica parlamentar. “O que fizeram foi forçar vereadores a votar de acordo com a conveniência. Então isso, para mim, não é democracia. Isso é golpe”, declarou Dalto. Mesmo após concluir sua fala e deixar o púlpito, o vereador permaneceu no plenário reiterando o termo “golpe” aos colegas.
Rachadinha no plenário e “pacto da pizza”
A sucessão da Casa dividiu os parlamentares em dois blocos bem definidos: de um lado, uma maioria formada por 16 vereadores; do outro, um grupo minoritário de 5 parlamentares composto por Armandinho (PL), Davi Esmael (Republicanos), Luiz Emanuel (Republicanos), Vinicius Monjardim (Novo) e o próprio presidente Anderson Goggi.
Apesar da aparente coesão do grupo menor, o vereador João Flávio (MDB) revelou um detalhe de bastidor até então mantido sob reserva, expondo divergências internas e apontando uma suposta quebra de palavra por parte de Armandinho.
Segundo o emedebista, a composição do grupo de apoio a Dalto ocorreu de forma espontânea, sem interferência do Executivo municipal — versão que contestou os rumores de pressão governamental. Para ilustrar seu argumento, João Flávio relembrou um encontro informal na casa do colega de plenário.
“(…) A nossa construção começou de forma natural aqui, que inclusive, Armandinho, lá no seu apartamento, nós fomos lá um dia à noite assistir o jogo do Flamengo, comer uma pizza, e você deu a palavra para a gente que você seria Dauto”, afirmou João Flávio.
O vereador prosseguiu relatando a mudança de postura do parlamentar do PL: “Não teve interferência de ninguém, inclusive você falou com a gente lá que você seria Dauto. Depois eu entendo que o jogo político aconteceu, os movimentos, você assinou junto para mudar a data. Mas eu lembro muito bem, lá no seu apartamento…”.
Durante o pronunciamento, Armandinho tentou intervir solicitando uma parte na fala para responder às citações, mas teve o pedido negado por João Flávio, que concluiu reafirmando que a articulação do grupo majoritário não contou com interferências externas.










