Ao contrário do tom burocrático e inconclusivo da nota oficial divulgada pelo PL na noite de quarta-feira (8), a coluna obteve com exclusividade que o jogo nos bastidores de Brasília foi jogado, o martelo foi batido e o acordo está rigorosamente fechado. O “muito diálogo, nenhuma definição” era apenas a cortina de fumaça necessária para a política respirar e o anúncio oficial seguir o roteiro de um grande espetáculo.
O cronograma do anúncio obedece a uma estratégia cirúrgica de timing: a aliança será ventilada discretamente entre esta sexta-feira e o fim de semana. O clímax, contudo, ficou reservado para o dia 18 de julho, durante o evento do PL-ES no Estado. O grande porta-voz da união será o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). Caberá a ele subir ao palco com um discurso pacificador, sacramentando que a direita capixaba não se dividirá e que o candidato do bloco ao Governo do Espírito Santo é Lorenzo Pazolini (Republicanos).
O PL encolheu na mesa de negociação
Para entender como se chegou a esse desenho, é preciso fazer uma análise cuidadosa e histórica. A tradicional tática do senador Magno Malta de esticar a corda e adiar definições sobre candidaturas ou coligações acabou, desta vez, deixando o PL pequeno para negociar.
Enquanto Magno hesitava e lidava com crises — como a denúncia nacional por suposta agressão a uma técnica de enfermagem em um hospital de Brasília —, o tabuleiro se mexia sem ele. Dentro do partido, em consulta aos liberais com mandato, o desejo de grande parte não era aliança, o que também pesou na demora do senador.
Diante do vácuo de uma candidatura majoritária do PL ao governo, Lorenzo Pazolini não perdeu tempo e buscou abrigo em outra ala da direita capixaba: aliou-se ao deputado federal Evair de Melo, parlamentar de trânsito livre e relações íntimas com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Foi Evair quem ciceroneou Pazolini junto ao eleitorado de direita mais ideológico e radical, pavimentando a imagem do prefeito como o nome natural desse campo ao Palácio Anchieta, esvaziando o poder de barganha de Magno.
O fantasma de 2024 e o risco Cassotto
O desgaste de Magno Malta e a falta de rumo do PL capixaba chegaram a fazer o senador cogitar uma chapa pura com seu assessor, Cabo Diego Cassotto. Mas o fantasma das eleições municipais de 2024 soprou forte nas orelhas da cúpula do partido em Brasília.
Ninguém no PL nacional queria correr o risco de repetir o fiasco de Vitória em 2024:
Lorenzo Pazolini foi reeleito em primeiro turno com mais de 56% dos votos.
O candidato oficial do bolsonarismo de Magno Malta, Capitão Assumção, amargou a quarta colocação com menos de 10%.
Insistir no isolamento seria o caminho mais rápido para ver o PL encolher ainda mais no Espírito Santo.
A Engenharia do Acordo: Para todos saírem grandes
Para que a aliança funcione e preserve o tamanho de todos os envolvidos, o desenho final foi fechado sob duas premissas claras:
| Partido | O que cede | O que ganha | O papel na chapa |
| Republicanos | Abre espaço na chapa majoritária para o clã Malta. | Apoio em bloco da direita e o palanque da família Bolsonaro. | Lorenzo Pazolini (Candidato ao Governo) |
| PL | Abre mão de ter cabeça de chapa ao governo. | Garante estrutura nacional e local para a prioridade da família. | Maguinha Malta (Candidata ao Senado) |
E o resto da chapa? É aí que entra o fator tempo. Na política, o timing é a diferença entre o sucesso e o desastre — nem antes demais, para não queimar pontes com o centro, e nem depois, a ponto de perder o fôlego. As demais vagas e suplências serão cozinhadas em banho-maria.
O primeiro round foi vencido pela pragmática partidária de Brasília. O PL aceitou que Pazolini é a realidade majoritária, e Magno Malta garantiu a salvaguarda de sua herança política com Maguinha no Senado. Agora, o Espírito Santo assiste ao desenrolar do roteiro que culminará no dia 18, sob as bençãos da família Bolsonaro.










