O ex-prefeito de Vitória e pré-candidato a deputado estadual Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) entrou no debate sobre a mancha escura registrada na Praia da Guarderia, que vem gerando discussões públicas desde fevereiro deste ano.
A polêmica ganhou novos contornos após um relatório do Ministério Público do Estado do Espírito Santo apontar que o problema é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles, estão o despejo irregular de esgoto — com ligações clandestinas na rede de drenagem —, falhas estruturais, como a paralisação de bomba de tempo seco, além de condições naturais.
Para Luiz Paulo, no entanto, a origem do problema vai além de questões pontuais e está ligada ao modelo de saneamento adotado no Brasil.
“Há um equívoco na divisão de responsabilidades entre prefeituras e Estados. Em tese, a empresa de saneamento cuida do esgoto e a prefeitura, da drenagem pluvial. Na prática, isso só funciona quando há pouca chuva”, afirmou.
Segundo ele, em períodos de chuva intensa, a água acaba carregando sujeira das ruas para a rede de drenagem, que também deveria passar por tratamento antes de ser lançada no meio ambiente.
“A verdade é que a gestão da drenagem de águas pluviais e aquíferos urbanos é o maior problema do saneamento básico no Brasil”, acrescentou.
Proposta de solução metropolitana
O ex-prefeito defende a criação de um plano metropolitano para a Grande Vitória, com foco na melhoria da balneabilidade das praias, preservação da saúde pública e fortalecimento do turismo — setor considerado estratégico para a economia capixaba.
Ele também criticou o modelo atual de separação entre redes de esgoto e águas pluviais, afirmando que a política pública não tem apresentado resultados eficazes.
“As águas pluviais precisam ser tratadas como os esgotos domésticos, antes de serem lançadas ao mar”, disse.
Como alternativa, Luiz Paulo propõe a construção de emissários submarinos, com lançamento de detritos a pelo menos cinco quilômetros da costa, citando exemplos de cidades como o Rio de Janeiro, além de Salvador e Lisboa.
“Esses exemplos mostram que o modelo baseado em emissários funciona e pode ser mais barato do que a construção de estações de tratamento”, avaliou.
O ex-prefeito afirmou ainda que pretende levar o debate sobre saneamento e drenagem urbana para a Assembleia Legislativa, caso seja eleito.
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