Após cerca de cinco horas de discussão, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitou, por seis votos a quatro, o relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), encerrando os trabalhos sem a aprovação de um texto conclusivo. O documento previa o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade. Com a rejeição, a comissão foi encerrada sem relatório final aprovado.
Durante a sessão, senadores divergiram sobre o conteúdo do documento. Parte dos parlamentares criticou a ausência de indiciamentos ligados diretamente a organizações criminosas. Também foram citados nomes que, segundo alguns integrantes, deveriam ter sido incluídos, como o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Houve tentativa de votação separada apenas da parte dos indiciamentos, mantendo as propostas de mudanças legislativas contidas no relatório. O pedido foi negado pelo presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), que submeteu o texto integral à votação.
Instalada em novembro de 2025, a CPI teve como foco a investigação do crime organizado, incluindo a atuação de facções, lavagem de dinheiro e infiltração no poder público. Ao longo dos trabalhos, o Banco Master passou a ser um dos principais alvos das apurações.
Ao apresentar o relatório, Alessandro Vieira afirmou que o indiciamento não representa condenação, mas o reconhecimento de indícios. “A responsabilização por crimes de responsabilidade viabiliza o controle parlamentar efetivo sobre agentes públicos”, disse.
O presidente da comissão, por sua vez, manifestou discordância quanto aos pedidos de indiciamento. “Esse ato de indiciamento é um ato de grande responsabilidade. Se eu não provar isso, eu não posso presumir”, afirmou Contarato.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) declarou que concordava com as sugestões legislativas, mas não com os indiciamentos. “Eu não vou corroborar com a sanha de querer atacar a instituição Supremo Tribunal Federal”, disse.
Já o senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirmou que o relatório não apresentou elementos consistentes sobre organizações criminosas. “Nós temos 78 organizações criminosas no Brasil e não avançamos na identificação”, declarou.
Parlamentares da oposição também criticaram o andamento da comissão. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) apontou interferências e mudanças na composição da CPI na véspera da votação. “Isso me parece uma manobra nefasta, de última hora, com a intenção de enterrar esse relatório”, afirmou.
O senador Magno Malta (PL-ES) criticou manifestações de ministros do STF sobre o relatório e questionou o funcionamento das CPIs. “Esse instituto aqui está desmoralizado”, disse.
Antes da votação, Contarato apresentou um balanço das atividades: foram realizadas 18 reuniões, com 19 depoimentos ao longo de cinco meses. Ao todo, 314 requerimentos foram apresentados, sendo 204 analisados e 178 aprovados, incluindo convocações, convites, pedidos de informação e quebras de sigilo, algumas posteriormente invalidadas por decisões judiciais. Com a rejeição do relatório, a CPI encerra seus trabalhos sem encaminhamento formal de conclusões ao Senado.









