Briga interrompe sessão na Câmara de Vila Velha com troca de acusações sobre fraude em cota de gênero

A sessão da Câmara de Vila Velha realizada na quarta-feira (22) foi marcada por um confronto entre os vereadores Devacir Rabello (PL) e Pastor Fabiano (PL), que protagonizaram um bate-boca no plenário e quase chegaram às vias de fato ao final dos trabalhos legislativos. A reunião foi presidida por Doutor Hércules (PP) e precisou ser suspensa em meio à confusão.

O episódio ocorreu após Rabello utilizar a tribuna para rebater acusações relacionadas a um processo por fraude à cota de gênero nas eleições de 2020. Durante sua fala, ele afirmou ter sido chamado de criminoso e contestou as declarações feitas anteriormente pelo colega de partido. “Hoje eu disse aqui que o pastor Fabiano faltou com a verdade em algumas situações. Ele me chamou de criminoso dizendo que eu fraudei as urnas por ocasião da cota de gêneros. A minha mãe chorou, a minha filha chorou. Só nós sabemos o que passamos”, declarou.

Enquanto Rabello discursava, Pastor Fabiano intervinha em tom elevado fora do microfone. Após deixar a tribuna, Rabello se dirigiu ao colega, iniciando uma discussão acalorada. Testemunhas relataram que os gritos puderam ser ouvidos no plenário, incluindo xingamentos, sendo alguns capturados pelo microfone do plenário. “ …[palavrões]… e o que você fez? … você é um moleque rapaz, você é um moleque”, gritava Rabello durante o confronto.

Diante da escalada da tensão, o presidente da sessão suspendeu os trabalhos antes que a vereadora Carol Caldeira (DC), que já havia sido chamada para discursar, pudesse se pronunciar. A parlamentar aguardou o restabelecimento da ordem e fez uso da palavra após a retomada da sessão, visivelmente abalada com a situação.

Os dois vereadores foram contidos por assessores antes que o confronto evoluísse para agressão física. Após a interrupção, os ânimos foram controlados e a sessão teve continuidade.

A discussão teve como pano de fundo o processo julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que resultou na cassação do mandato de Devacir Rabello. Em decisão unânime, a Corte entendeu que houve fraude à cota de gênero nas eleições de 2020, envolvendo partidos como PTB e Democracia Cristã (DC). A legislação eleitoral determina que cada partido deve respeitar o mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas de cada sexo.

Segundo o relator do caso, ministro Floriano de Azevedo Marques, foram identificados elementos como “votação zerada ou pífia e inexistência de gastos e de atos de campanha”, características que configurariam candidaturas fictícias para cumprimento da cota.

Durante sua fala, Rabello também mencionou decisões anteriores favoráveis e afirmou que o processo teria sido revertido em instâncias iniciais. Ele ainda citou a atuação de sua defesa no TSE e exibiu um vídeo com declaração do senador Magno Malta (PL), presidente estadual do partido, em apoio à sua posição. “O próprio senador fez um desagravo dizendo que eu não tinha culpa nenhuma, que a responsabilidade foi do partido”, afirmou.

O episódio expôs divergências internas e possíveis ‘rachas’ no partido e interrompeu momentaneamente os trabalhos legislativos, em uma sessão marcada por acusações, defesa pública e confronto direto entre parlamentares.

 

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