Um vídeo gravado na Praça Viver Vitória, na Enseada do Suá, em Vitória, provocou indignação entre famílias de pessoas com deficiência (PCD), entidades de inclusão e autoridades do Espírito Santo. As imagens, que circulam nas redes sociais desde o último fim de semana, mostram um jovem utilizando um balanço adaptado destinado a crianças com paralisia cerebral, enquanto é filmado pela irmã em uma gravação considerada ofensiva e debochada.
Os envolvidos foram identificados como Fabrício de Oliveira Santos Freitas, de 19 anos, e Layla de Oliveira Santos Freitas, de 23 anos. O episódio ocorreu no sábado (20) e rapidamente repercutiu entre movimentos de defesa dos direitos das pessoas com deficiência.
Mães denunciam caso e cobram responsabilização
Diante da repercussão, Kamylla Rodrigues, mãe de uma criança com deficiência, procurou a Polícia Civil para registrar a ocorrência. Além disso, ela foi orientada a formalizar uma denúncia junto ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que também passou a acompanhar o caso.
Na segunda-feira (22), mães, familiares e representantes da Associação Capixaba de Paralisia Cerebral (ACPC) se reuniram na praça inclusiva para manifestar repúdio ao ocorrido. Os participantes classificaram a atitude registrada no vídeo como um ato de capacitismo e cobraram punição aos responsáveis.
Polícia Civil investiga possível crime de discriminação contra pessoa com deficiência
A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) informou que um boletim de ocorrência foi registrado no domingo (21) na 1ª Delegacia Regional de Vitória.
Segundo a corporação, o caso foi encaminhado para a Seção de Investigações Especiais – Pessoas Vítimas de Discriminação Racial, Religiosa, Orientação Sexual ou Deficiência Física. A unidade já iniciou os procedimentos investigativos para apurar os fatos e identificar eventuais responsabilidades criminais.
Paralelamente, o Ministério Público do Espírito Santo confirmou que recebeu a denúncia por meio da Ouvidoria e analisa o conteúdo divulgado nas redes sociais, especialmente quanto à possibilidade de prática de discriminação e desrespeito contra pessoas com deficiência.
O que é capacitismo?
Capacitismo é uma forma de preconceito e discriminação direcionada às pessoas com deficiência. O conceito está relacionado à ideia equivocada de que indivíduos com deficiência seriam inferiores, menos capazes ou teriam menor valor social em relação às demais pessoas.
Especialistas e entidades de defesa dos direitos da pessoa com deficiência alertam que o capacitismo pode se manifestar de diversas formas, desde comentários ofensivos e atitudes de exclusão até ações que ridicularizam ou desrespeitam a condição dessas pessoas.
Associação repudia atitude e destaca previsão legal
Em nota oficial, a Associação Capixaba de Paralisia Cerebral (ACPC) repudiou a conduta registrada no vídeo e ressaltou que situações desse tipo não podem ser tratadas como brincadeira.
“Não se trata de uma simples brincadeira. Trata-se de um ato de desrespeito, preconceito e capacitismo, que fere a dignidade de pessoas que enfrentam diariamente inúmeros desafios. Reforçamos que atitudes dessa natureza podem configurar crime, conforme a legislação brasileira, e não devem ser normalizadas. Respeito não é favor. Inclusão não é brincadeira. Capacitismo é crime”, afirmou a entidade.
Prefeitura de Vitória emite nota de repúdio
A Prefeitura de Vitória também se manifestou sobre o episódio. Em nota, a administração municipal lamentou o ocorrido e reforçou o compromisso com a inclusão e a acessibilidade.
A Praça Viver Vitória foi inaugurada como o primeiro parque público da capital capixaba totalmente planejado para promover a convivência entre pessoas com e sem deficiência, oferecendo brinquedos e estruturas adaptadas para garantir a participação de todos.
Segundo a prefeitura, o espaço foi criado para incentivar a empatia, o respeito às diferenças e a igualdade de oportunidades desde a infância. O município afirmou ainda que continuará trabalhando para eliminar barreiras físicas e sociais, fortalecendo políticas públicas voltadas à inclusão.
Possível crime de capacitismo segue sob apuração
Enquanto as investigações avançam, o caso reacende o debate sobre o respeito às pessoas com deficiência e a importância do combate ao capacitismo. A expectativa é que os órgãos responsáveis concluam a análise do material e definam as medidas cabíveis para eventual responsabilização dos envolvidos.









