Após o anúncio de afastamento dos seis policiais militares que testemunharam o assassinato de um casal de mulheres em Cruzeiro do Sul, Cariacica, a Associação das Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Espírito Santo (ASPRA-ES) se posicionou contra a decisão e fez críticas à medida. A entidade tornou pública essa posição nesta quarta-feira (15), por meio de seu site oficial.
A decisão anunciada pelo governador do ES, Ricardo Ferraço (MDB), ocorreu após novas imagens do momento do crime mostrarem que os policiais não interviram na execução de Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto, mortas a tiros pelo cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale na última quarta-feira (08). Ele está preso desde então, no Quartel da Polícia Militar, em Maruípe.
No dia dos homicídios, as vítimas teriam discutido com a ex-companheira do cabo, o que motivou o crime. Na ocasião, o PM chegou na rua onde as vítimas moravam acompanhado de outras viaturas e atirou contra Francisca e Daniele, que estavam sentadas na calçada e desarmadas. Em seguida, o cabo tirou o colete e se entregou aos colegas de farda.

Associação é contra afastamento
Por meio de nota, os militares se posicionaram contra o afastamento, que envolveu “a conduta isolada de um policial militar, que resultou na morte de duas mulheres após uma discussão onde elas teriam ameaçado seu filho autista de morte”.
Completou ainda dizendo que o posicionamento não diz respeito à atitude de quem efetuou os disparos, pois se trata de um caso grave, que precisa ser investigado com seriedade, transparência e responsabilidade, garantindo o direito de defesa e ao contraditório.
“Entretanto, causa profunda indignação e espanto a decisão de punir, de forma indiscriminada, outros policiais militares que não tiveram qualquer participação no ocorrido.
É importante esclarecer, de forma categórica, que os demais policiais presentes não contribuíram para a ação, não possuíam conhecimento prévio e tampouco tinham condições de antecipar a atitude do autor, cuja conduta foi repentina e inesperada, impossibilitando qualquer intervenção preventiva por parte da equipe.
Ressalte-se, ainda, que, imediatamente após o fato, o militar foi contido, desarmado e preso pelos próprios policiais, sendo prontamente apresentado à autoridade competente, ocasião em que foram adotadas todas as medidas legais cabíveis, assegurando-se o devido processo legal.
Diante disso, é inadmissível que profissionais que agiram corretamente sejam agora alvos de ‘medidas cautelares’ com nítido caráter punitivo, aparentando servir apenas como resposta à imprensa e à sociedade”.

Saúde psicológica
Ainda por meio da nota de repúdio, a associação relatou que os militares vivem um momento desafiador, em que se discute a saúde psicológica dos profissionais de segurança pública. “Em vez de afastar os policiais para oferecer apoio após um evento traumático, foi adotada uma medida vista como preocupante, que acaba sendo interpretada como punição e pode agravar ainda mais os impactos psicológicos nesses profissionais, além de gerar preocupação em toda a tropa”.
Ao final da nota, a Aspra-ES deixou um recado:
“Por fim, dirigimo-nos ao Governador do Estado para lembrar que liderar é agir com equilíbrio, responsabilidade e justiça, sobretudo nos momentos de maior pressão. A tropa militar observa, acompanha e não esquecerá decisões que desconsideram o compromisso e a dedicação de seus profissionais. Em um cenário em que Vossa Excelência se apresenta novamente ao crivo da população, fica o registro de que segurança pública se faz com valorização, respeito e responsabilidade, e não com medidas precipitadas que penalizam inocentes.”









