Os policiais militares que presenciaram a morte de duas mulheres no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, foram suspensos das funções e tiveram as armas recolhidas. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (14) pelo governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB).
O caso aconteceu na última quarta-feira (8) e teve como vítimas Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto. O autor dos disparos foi o cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, que foi preso após o crime.

O militar estava acompanhado de outros sete policiais no momento da ocorrência. Eles teriam presenciado a ação, mas não reagiram nem tentaram impedir os disparos. Inicialmente, a informação divulgada é que eles seriam transferidos para funções administrativas, mas a decisão foi revista e, agora, todos foram suspensos enquanto as investigações continuam.
No dia do crime, as duas mulheres teriam se envolvido em uma discussão com a ex-companheira do policial. Relatos indicam que a mulher teria acionado o ex-companheiro dizendo que estava sendo ofendida e que as duas tentavam agredi-la, além de envolverem o filho dela na confusão. O policial então foi até o local acompanhado de colegas de farda.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o policial atira contra as vítimas à queima-roupa, no meio da rua. Enquanto isso, ao menos seis policiais aparecem assistindo à cena sem reação. Após os disparos, o militar retira o colete à prova de balas, joga no chão e aparenta se render aos colegas. O vídeo não mostra, mas atrás da viatura uma das vítimas já estava caída e baleada.
Em entrevista a jornalistas nesta terça-feira (14), o major Torezani informou que as apurações seguem em andamento e que a conduta dos policiais que estavam no local também será investigada.
O cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale permanece preso no Quartel da Polícia Militar, em Vitória, desde o dia do crime.
Ainda segundo as informações apuradas, o policial estava afastado das atividades nas ruas por já ser investigado por outro homicídio, envolvendo uma mulher trans, ocorrido anos atrás. Mesmo assim, ele estava em serviço no dia do crime, após ter sido acionado pela ex-companheira para ajudar na confusão envolvendo vizinhas.
A Polícia Militar (PMES) ainda não confirmou se o cabo pediu autorização para sair do posto ou se deixou o local de trabalho por conta própria. A polícia também investiga se o cabo da PM acionou, via rádio, apoio dos colegas para a ocorrência.









