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Novembro Azul: Câncer de próstata já fez 219 vítimas em 2022

O mês de novembro é considerado muito importante para a saúde, principalmente a dos homens. Durante todo o mês são realizadas diversas ações de conscientização para a importância do autocuidado e a saúde masculina. Trata-se do Novembro Azul, que este ano tem como tema “Homem, saúde é vida! Cuide-se de Novembro a Novembro”.

No último dia 17 foi comemorado o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, e por preconceito, vergonha e até mesmo falta de informação, muitos homens acabam deixando de realizar os exames que detectam a doença a tempo de curá-la. Para frear os altos números que o Brasil anda apresentando a prevenção e a detecção precoce são fundamentais.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), apontam que o câncer de próstata é o segundo com maior incidência entre os homens brasileiros, perdendo apenas para o câncer de pele. Os números do instituto indicam que em 2021, o País registrou 44 mortes diárias em consequência do câncer de próstata e para todo 2022 são esperados 65.840 novos casos da doença.

No Espírito Santo, de janeiro a outubro de 2022, foram diagnosticados 465 casos de neoplasia maligna de próstata. O estado também registrou 219 óbitos pela doença. Neste ano, para detecção, foram realizadas 1.451 biópsias de próstata, 3.752 ultrassonografias de próstata (via abdominal) e 1.503 ultrassonografias de próstata (via transretal).

Já durante todo o ano de 2021, foram diagnosticados 859 casos de câncer de próstata e 335 registros de morte. Foram realizadas 1.164 biópsias de próstata, 4.855 ultrassonografias de próstata (via abdominal) e 1.159 ultrassonografias de próstata (via transretal).

Hoje, o Novembro Azul é marcado por diversas ações de divulgação sobre medidas de prevenção e campanhas para a realização do exame físico, toque retal, e do PSA, exame de sangue que detecta alterações do antígeno prostático específico, que podem ser indicativas dessa doença. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados somente por alterações percebidas pelo toque retal, o que reforça a necessidade de fazer esse exame.

“Em geral, nota-se que a maioria da população masculina tem certo receio ou resistência em procurar atendimento médico. Eles não se atêm aos sinais que o próprio corpo emite no decorrer dos anos, o que os deixam mais vulneráveis a qualquer doença que necessite de prevenção, a fim de minimizar os efeitos colaterais do próprio tratamento. Isso devido à falta do autocuidado e por não buscarem um serviço de saúde rotineiramente como fazem as mulheres”, salientou a referência técnica Estadual da Saúde do Homem, Lucimar Ventorin Hamsi.

A técnica da Secretaria da Saúde ressaltou a importância que a promoção, prevenção e o diagnóstico precoce das doenças têm com grandes aliados para a saúde do homem. “A melhor maneira de prevenir as doenças está na decisão individual em se cuidar. A prática de atividades físicas rotineiramente, uma simples caminhada de 40 minutos diariamente, alimentação adequada livre de gorduras e açucares e uma boa noite de sono podem mudar para melhor a vida de qualquer pessoa”, disse Lucimar Hamsi.

A doença                                         

Essa enfermidade atinge a próstata, que é uma glândula pequena com função de produzir o líquido seminal, que nutre e transporta os espermatozoides. A próstata está presente apenas nos homens e fica localizada na frente do reto, abaixo da bexiga, e envolve a parte superior da uretra, canal por onde passa a urina.

Quando o homem desenvolve o câncer de próstata, as células dessa parte do corpo passam a ter um crescimento descontrolado, formando tumores, que podem ser benignos ou malignos (câncer). De acordo com o Urologista Claudio Borges, chefe da Unidade de Urologia do Hucam-Ufes/ Ebserh, a doença é silenciosa, mas se descoberta no início tem grandes chances de cura.

“Quando é detectado nas fases mais precoces a chance de cura passam de 90%, mas no início a doença é muito assintomática. O homem que não participa dessas campanhas de detecção precoce, não realiza a consulta anual, muitas vezes vai diagnosticar esse problema em uma fase mais avançada, que a chance de cura já não existe e pode fazer apenas o tratamento de controle da doença sem o propósito de cura”, salienta o especialista.

A idade indicada para iniciar a realização dos exames específicos de detecção dessa doença varia de acordo com os fatores de risco apresentados pelo paciente “Os principais fatores de risco para o câncer de proposta são o histórico familiar com a doença, pessoas que sejam negros ou descendentes da raça negra e obesidade. A sociedade brasileira de urologia recomenda que façam esse exame a partir dos 50 anos, sendo que homens que apresentam os fatores de risco, devem iniciar esse rastreamento mais cedo, a partir dos 45 anos” aponta o urologista.

Nas fases mais avançadas, onde costumam se iniciar os sintomas, Claudio Borges orienta em qual deles é importante se atentar “Nas fases mais avançadas o paciente pode apresentar dificuldade para urinar, sangue na urina, perda de peso, dores pelo corpo e inchaço nas pernas”.

O tratamento, segundo o urologista, vai variar conforme o estágio da doença. Entre as opções mais comuns estão a cirurgia, radioterapia, vigilância ativa (acompanhamento do tumor), e a quimioterapia: “Na fase bem precoce usamos a vigilância ativa, monitorando para ver se a doença progride. Quando a doença apresenta característica de agressividade um pouco maior pode ser feito cirurgia e radioterapia. Nas fases mais avançadas a gente pode usar bloqueio hormonal, que é a principal forma de tratamento pra essa fase da doença e em alguns casos até quimioterapia”.

Para os homens que já estão na idade de iniciar o processo de detecção precoce a Secretaria de Saúde orienta que busquem uma Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da região onde reside, porque todo o processo de consulta, exames e tratamento do câncer de próstata tem início na Atenção Primária à Saúde (APS).

O Espírito Santo conta com um estabelecimento de saúde habilitado, como o Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e seis estabelecimentos de saúde habilitados, como a Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) para o tratamento do câncer de próstata: Hospital Santa Rita de Cássia, Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim, Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória, Hospital Evangélico de Vila Velha, Hospital Maternidade São José e Hospital Rio Doce.

Inicio do novembro azul

O Movimento Novembro Azul teve início no ano de 2003 em Melbourne, na Austrália, a partir da iniciativa de dois amigos, Travis Garone e Luke Slattery. Inspirados por uma campanha já existente que levantava fundos para o combate ao câncer de mama, eles decidiram associar o bigode com a conscientização sobre a saúde masculina.

A dupla escolheu o mês de novembro para deixar o bigode crescer, uma vez que o dia 17 já era considerado o Dia Mundial do Combate ao Câncer de Próstata. Naquele ano, cerca de 30 amigos aderiram a ideia, fazendo muitas pessoas se interessarem pelos grandes bigodes, espalhando a história.

Em 2004 eles criaram a organização sem fins lucrativos Movember Foundation, nome vindo da junção das palavras moustache, (“bigode”) e November (“novembro”). A ONG visava à arrecadação de fundos para o combate ao câncer de próstata. Também criaram uma plataforma que recebia doações e também fotos da evolução dos bigodes dos homens que aderiam a campanha.

O movimento foi atraindo cada vez mais participantes e se espalhou por outros 20 países. Com essa evolução, além do bigode, alguns homens resolveram deixar a barba toda durante este mês. As mulheres começaram a ser incentivadas a participar da campanha usando bigodes falsos e roupas na cor azul, o que fez com que o movimento ficasse conhecido como Novembro Azul aqui.

Em 2008, trazido pelo Instituto Lado a Lado pela Vida em conjunto com a Sociedade Brasileira de Urologia, o Movember chegou ao Brasil. A primeira campanha teve como lema “Um Toque, Um Drible”, já pensando em criar consciência sobre o câncer de próstata, derrubar o preconceito e incentivar os homens se consultar e a fazer o exame de toque retal, se necessário.

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