Só não vê quem não sabe olhar: o que é possível observar no céu do ES sem telescópio

Olhar para o céu é um hábito comum, mas entender o que está ali ainda é um desafio para muita gente. No Espírito Santo, no entanto, não é preciso telescópio nem equipamento sofisticado para começar a observar o universo — basta atenção, orientação e, de preferência, um local mais escuro.

De acordo com o físico e coordenador do Observatório Astronômico da Universidade Federal do Espírito Santo, Messias Cevolani, o céu visível a olho nu pode revelar mais do que se imagina, inclusive em áreas urbanas.

Logo no início da noite, por exemplo, é possível identificar o planeta Vênus a olho nu. “Ele aparece logo após o pôr do sol, bem baixo a oeste. É um ponto muito brilhante, branco amarelado, que surge ainda com o céu claro, próximo de onde o Sol se pôs”, explica.

Outro destaque é o planeta Júpiter, que também pode ser observado sem dificuldade. Segundo o especialista, ele aparece como um ponto luminoso intenso — embora menos brilhante que Vênus — próximo ao ponto mais alto do céu, na constelação de Gêmeos.

A Lua também entra no espetáculo. Neste período, o satélite natural nasce no fim da noite e passa por diferentes fases ao longo da semana, o que também pode ser acompanhado a olho nu.

Poluição luminosa limita o que se vê

Apesar das possibilidades, nem tudo que está no céu pode ser visto das cidades. A iluminação artificial intensa, comum em áreas urbanas, é uma das principais barreiras para a observação astronômica.

“Objetos com luminosidade menor, como cometas ou nebulosas, só podem ser vistos em locais com baixa poluição luminosa. A observação de chuvas de meteoros também é muito prejudicada em lugares muito iluminados”, afirma Cevolani.

Um exemplo claro dessa limitação é a própria Via Láctea. Segundo o pesquisador, a faixa luminosa da galáxia já não pode mais ser observada a olho nu na região da Grande Vitória.

Erros comuns podem atrapalhar — e até causar riscos

Entre os erros mais frequentes de quem tenta observar o céu, um deles é considerado grave: olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada.

“O erro mais comum, e também mais perigoso, é tentar observar o Sol ou fenômenos como eclipses sem os filtros corretos. Óculos de sol comuns não são seguros, nem películas improvisadas, como radiografias”, alerta.

Para melhorar a experiência, o especialista recomenda buscar locais mais escuros e identificar os pontos cardeais, o que ajuda na localização dos astros. Aplicativos de celular, como o Stellarium e o SkyView, também podem ser aliados nesse processo.

Dá para começar sem telescópio

Ao contrário do que muitos pensam, não é necessário investir em equipamentos para iniciar na astronomia. A observação a olho nu é, inclusive, a base histórica dessa ciência.

“Quase toda a astronomia observacional foi desenvolvida antes da invenção do telescópio. O equipamento ajuda a ampliar a imagem, mas o mais importante é identificar os astros e entender seus movimentos”, explica.

Segundo Cevolani, esse processo também ajuda a compreender melhor o lugar da Terra no universo. “Habitamos um planeta com condições especiais, que orbita uma estrela pequena e muito comum”, completa.

Como acompanhar o céu ao longo do mês

Para quem quer começar, uma dica prática é acompanhar conteúdos especializados que indicam o que observar em cada período. O próprio Observatório Astronômico da UFES divulga mensalmente orientações em redes sociais, com sugestões de fenômenos visíveis.

A recomendação é simples: olhar para o céu com mais atenção. Mesmo sem equipamentos, o universo continua ali — visível para quem aprende a enxergar.

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