A Polícia Civil (PCES) concluiu a investigação sobre o homicídio que vitimou o empresário Kleber Gonçalves, morto a tiros dentro de uma lanchonete no bairro São José, região da Grande São Pedro, em Vitória, em outubro de 2024. O caso, que agora tramita como ação penal no Tribunal do Júri, resultou na prisão de dois suspeitos apontados como executores e revelou um crime planejado com antecedência, ligação com grupo criminoso e até a prevenção de um novo assassinato.
Segundo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, a apuração foi considerada complexa e demandou cerca de um ano e meio de trabalho. O chefe da unidade, delegado Ramiro Diniz, destacou que o caso exigiu esforço contínuo da equipe até a elucidação.
De acordo com ele, os dois investigados que ainda estavam foragidos foram presos no dia 1º de abril deste ano. Menos de um mês depois, o inquérito foi concluído e ambos passaram à condição de réus no processo.
As prisões foram realizadas em uma operação simultânea. Um dos suspeitos foi detido em casa, no município de Cariacica. O outro foi abordado em via pública, nas proximidades da rodoviária de Vitória. Com ele, os policiais apreenderam uma pistola calibre 9 mm, carregadores e aparelhos celulares. Nenhum dos dois apresentou resistência.

Dinâmica do crime
As investigações apontam que o crime ocorreu na noite de 22 de outubro de 2024, quando a vítima estava na lanchonete de sua propriedade, acompanhada do filho adolescente e de um sócio.
Conforme a Polícia Civil, o ataque foi executado por um dos suspeitos, que chegou ao local em um carro previamente preparado para a ação. Armado com um fuzil calibre 5.56, ele entrou no estabelecimento e efetuou diversos disparos contra as vítimas.
Kleber Gonçalves ainda tentou reagir, mas foi atingido e morreu após ser socorrido em estado grave. Outras duas pessoas que estavam no local também foram alvo dos tiros, mas sobreviveram.
Após o crime, o atirador fugiu no veículo utilizado na ação. O carro, que havia sido roubado meses antes e circulava com placa adulterada, foi incendiado posteriormente em uma região de mata. A fuga continuou a pé até um ponto de encontro, onde o executor foi resgatado por um comparsa.
Planejamento e motivação
A investigação revelou que o crime foi premeditado e contou com apoio logístico. Um dos suspeitos teria sido responsável por transportar o executor e auxiliar na fuga.
Outro ponto apontado pela polícia é que o veículo usado no crime foi transferido para a esposa de um dos envolvidos logo após o homicídio, o que levou à inclusão do crime de lavagem de dinheiro na denúncia apresentada pelo Ministério Público.
As apurações também indicam que a motivação do assassinato está relacionada a desavenças dentro de um grupo criminoso que atuaria com práticas ilegais na Grande Vitória. A vítima e os investigados teriam ligação com esse grupo, que estaria envolvido em atividades como extorsão.
Além disso, a polícia identificou que um terceiro envolvido teria repassado informações sobre a localização da vítima no momento do crime, facilitando a ação dos executores.
Outros desdobramentos
Durante as investigações, a DHPP também descobriu que havia um plano em andamento para a execução de outra pessoa, prevista para ocorrer no início de abril. A prisão dos suspeitos, dias antes, impediu a concretização desse novo crime.
O caso ainda se conecta a outros episódios de violência na região. Um possível mandante do homicídio já foi assassinado posteriormente, em outro crime investigado por uma unidade policial distinta.
Julgamento
Com a conclusão do inquérito e o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, os acusados respondem por homicídio qualificado e outros crimes correlatos. O processo tramita na 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri de Vitória, onde caberá ao júri popular decidir sobre a responsabilidade dos réus.
A Polícia Civil destaca que o caso é resultado de um trabalho investigativo considerado exemplar e reforça a atuação da DHPP na redução dos índices de homicídio na capital capixaba.









