Uma descoberta feita em meio à rotina de campo surpreendeu pesquisadores e trouxe um novo capítulo para a biodiversidade da Mata Atlântica. Uma nova espécie de anfíbio foi identificada no Parque Nacional do Caparaó, após um projeto de pesquisa que durou cinco anos, entre 2019 e 2024.
Batizada de Ischnocnema rubridactyla, a espécie ganhou o nome popular de “rãzinha-dos-dedos-vermelhos-do-Caparaó”, por causa da coloração avermelhada nas extremidades. O trabalho envolveu pesquisadores do Instituto Últimos Refúgios, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA).
Embora o animal tenha sido encontrado em 2020, a descrição oficial só foi publicada neste ano na revista científica internacional Zootaxa.
Descoberta começou com um som diferente
O primeiro contato com a nova espécie aconteceu de forma inesperada, durante um momento comum da equipe.
“A descoberta começou de um jeito muito simples. Estávamos tomando café da tarde no alojamento e começou a cair uma chuvinha. Foi quando eu ouvi um canto que nunca tinha ouvido antes, mas que parecia ser de uma rãzinha-da-mata (Ischnocnema). Esse é exatamente o grupo que eu estudei na minha tese de Doutorado, então, eu o conheço muito bem. Comentei com a equipe e começamos uma busca obstinada marcada por uma mistura de ansiedade e empolgação. Quando achamos o primeiro exemplar, virou uma festa! É uma sensação difícil de explicar”, conta Thiago Silva Soares.

Importância vai além da descoberta
Para os pesquisadores, encontrar uma nova espécie reforça o quanto ainda há a ser descoberto na Mata Atlântica e a importância de preservar áreas como o Caparaó.
“A biodiversidade é o que sustenta o funcionamento dos ecossistemas. Cada espécie tem um papel, seja no controle de populações, na ciclagem de nutrientes ou na manutenção da cadeia alimentar. Quando essa variedade é afetada, o equilíbrio desses sistemas é comprometido. Além de ser um dos biomas mais ricos em espécies, a Mata Atlântica também tem um altíssimo nível de endemismo, ou seja, muitas espécies só existem ali. Se aquele ambiente desaparece, elas desaparecem junto”, explica o pesquisador.
Descoberta pode influenciar proteção da área
Além do valor científico, o registro da nova espécie também tem impacto direto na conservação do parque.
“O Parque Nacional do Caparaó ainda tem muito a revelar. Quando uma nova espécie é registrada, há uma comprovação de que aquele ambiente abriga uma biodiversidade única. Isso é fundamental para a gestão do parque, porque reforça a necessidade de proteção, pode influenciar políticas públicas e até justificar investimentos em conservação e pesquisa”, ressalta Thiago.









