Uma mulher de 55 anos foi presa preventivamente nesta quarta-feira (29), durante a Operação Falsária 2, deflagrada pela Polícia Civil e pela Polícia Penal em Marataízes, no Sul do Espírito Santo. Ela é investigada por uso de documento falso e exercício irregular da advocacia no sistema prisional capixaba.
Segundo as investigações, a mulher teria forjado um certificado de aprovação no Exame da OAB com data de 1992 — 23 anos antes de concluir a graduação em Direito, obtida em 2015. Com o documento fraudado, ela solicitou à seccional da Ordem dos Advogados do Brasil na Paraíba (OAB-PB), em 2017, a emissão de uma segunda via do certificado e conseguiu obter inscrição e carteira funcional de advogada.
De acordo com a Polícia Civil, consultas à Fundação Getulio Vargas não localizaram aprovação da investigada em exames realizados entre 2015 e 2017. A própria OAB-PB confirmou posteriormente a fraude documental, segundo a corporação.
Ainda conforme a apuração, com a carteira obtida de forma fraudulenta, a mulher realizou 218 atendimentos a internos do sistema penitenciário do Espírito Santo, principalmente em unidades de segurança máxima. A suspeita é de que ela atuava como intermediária de comunicações entre presos e pessoas fora das unidades, além de protocolar procurações em processos judiciais.
Entre os detentos atendidos por ela, segundo a polícia, estão lideranças de facções criminosas como Comando Vermelho, PCV, PCC e AFC. A investigação aponta ainda que a advogada visitou o preso conhecido como “Frajola”, apontado como líder do PCV no Espírito Santo e transferido ao sistema penitenciário federal no último dia 13 de abril.
A prisão ocorreu na Avenida Rafael Vale dos Reis, no bairro Campo Acima, em Itapemirim. Um celular e outros materiais de interesse da investigação foram apreendidos.
A Operação Falsária 2 é desdobramento da primeira fase da ação, realizada em dezembro de 2025. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca na casa da investigada, onde foram apreendidos a carteira da OAB-PB, bilhetes de internos do sistema prisional e documentos relacionados à inscrição fraudulenta. Segundo a polícia, ela confessou a falsificação documental durante interrogatório.
O mandado de prisão preventiva foi expedido pela 2ª Vara Criminal Regional de Itapemirim e Marataízes. Na mesma decisão, a Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo e determinou a suspensão do exercício da advocacia pela investigada.









