Dia do Pastor: como ele deve ser tratado à luz da Bíblia?

Dia do Pastor: como ele deve ser tratado à luz da Bíblia?No próximo dia 8 de junho, o Brasil celebra o Dia do Pastor, uma oportunidade para refletirmos, à luz da Bíblia, sobre a importância e as responsabilidades deste ministério. A figura do pastor não é uma invenção humana, mas um dom de Cristo à sua igreja: “E ele mesmo concedeu uns (…) para pastores e mestres” (Ef 4.11). Contudo, com esse dom vem também uma alta responsabilidade.

Abaixo, destacamos três aspectos essenciais para pensar biblicamente o ministério pastoral: as qualificações exigidas por Deus, a maneira como a igreja deve tratar seu pastor, e o modo correto de confrontá-lo em caso de erro.

1. As qualificações do pastor segundo a Bíblia

As Escrituras, especialmente nas cartas de Paulo a Timóteo e Tito, traçam com clareza os critérios para quem deseja exercer o ministério pastoral.

a) Ser irrepreensível

“É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível…” (1Tm 3.2)

Não se trata de perfeição, mas de integridade. O pastor deve viver de modo que não dê causa a escândalos. John MacArthur explica: “Ser irrepreensível não significa perfeição moral, mas um caráter tão consistente que ninguém pode apontar um defeito que o desqualifique para o ministério” (MacARTHUR, John. 1 Timothy: The MacArthur New Testament Commentary. Moody Publishers, 1995, p. 122)

b) Apto para ensinar

“… apto para ensinar” (1Tm 3.2)

A pregação fiel e o ensino bíblico são centrais no chamado pastoral. Kevin DeYoung afirma: “A habilidade de ensinar não é apenas comunicar ideias, mas aplicar a verdade de Deus ao coração do povo com clareza e autoridade” (DeYOUNG, Kevin. Taking God at His Word. Crossway, 2014, p. 93)

c) Governa bem a própria casa

“… que governe bem a própria casa…” (1Tm 3.4)

A liderança doméstica é uma espécie de ensaio para a liderança espiritual. R.C. Sproul destaca: “A família é o primeiro rebanho do pastor. Sua autoridade espiritual começa ali”. (SPROUL, R.C. The Shepherd as Leader. Reformation Trust, 2010, p. 15)

Dia do Pastor: como ele deve ser tratado à luz da Bíblia?
O pastor precisa governar bem a sua própria casa

d) Ter bom testemunho dos de fora

“É necessário, também, que tenha bom testemunho dos de fora…” (1Tm 3.7)

O ministério pastoral não se limita ao templo. Tim Keller lembra: “A missão urbana da igreja exige líderes que vivam com integridade visível diante do mundo”. (KELLER, Timothy. Center Church: Doing Balanced, Gospel-Centered Ministry in Your City. Zondervan, 2012, p. 250)

e) Não ser neófito (novo convertido)

“Não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça…” (1Tm 3.6)

A maturidade espiritual é essencial. D.A. Carson observa: “O ministério inevitavelmente atrairá crítica, oposição e tentações de orgulho”. (CARSON, D.A. The Cross and Christian Ministry. Baker Books, 1993, p. 82)

2. Como a igreja deve tratar seu pastor

A igreja tem responsabilidades claras em relação ao seu pastor. Paulo e outros autores do Novo Testamento destacam a importância do respeito, da cooperação e do sustento.

a) Com respeito e apreço

“… acateis com apreço os que trabalham entre vós…” (1Ts 5.12-13)

John Stott comenta: “A liderança espiritual só é eficaz quando os liderados reconhecem o chamado e o trabalho árduo de seus pastores”. (STOTT, John. The Message of Thessalonians. IVP, 1991, p. 130)

b) Com obediência espiritual

“Obedecei aos vossos guias e sede submissos…” (Hb 13.17)

Submissão aqui não é passividade, mas confiança e cooperação com a liderança, estando sob a mesma missão em Cristo e com base nas Escrituras. Sinclair Ferguson afirma: “O pastor responde a Deus por como cuida das almas”. (FERGUSON, Sinclair B. Let’s Study Hebrews. Banner of Truth, 2006, p. 179)

c) Com sustento digno

“… merecedores de dobrados honorários…” (1Tm 5.17)

A igreja deve assegurar que o pastor tenha condições de viver e servir com dignidade. Albert Mohler diz: “A igreja que ama a pregação fiel deve amar também o pregador fiel”. (MOHLER, R. Albert Jr. He Is Not Silent: Preaching in a Postmodern World. Moody Publishers, 2008, p. 104)

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A igreja deve assegurar que o pastor fiel tenha condições de viver com dignidade junto à sua família e servir com dignidade a Igreja de Cristo

3. Quando o pastor erra: como a igreja deve agir

Pastores são humanos e, em alguns casos, podem incorrer em pecados graves. A Bíblia prevê esse risco e oferece instruções claras.

a) Acusações devem ser confirmadas por testemunhas

“Não aceites acusação contra presbítero, senão com duas ou três testemunhas”
(1Tm 5.19)

É necessário evitar julgamentos precipitados. John MacArthur comenta: “A proteção contra acusações infundadas é uma salvaguarda contra destruição ministerial injusta” (MacARTHUR, John. 1 Timothy: The MacArthur New Testament Commentary. Moody Publishers, 1995, p. 222)

b) Pecados confirmados devem ser corrigidos com clareza

“… repreende-os na presença de todos…”
(1Tm 5.20)

A correção pública é necessária em casos de persistência no erro, visando o bem da igreja e o temor do Senhor. D.A. Carson escreve: “O temor reverente e a saúde da comunidade exigem transparência e responsabilidade”. (CARSON, D.A. The Cross and Christian Ministry. Baker Books, 1993, p. 98)

c) Sempre com espírito de restauração

“… corrigi o tal com espírito de mansidão…” (Gl 6.1)

O objetivo da disciplina não é a destruição, mas a restauração. Tim Keller enfatiza: “A disciplina bíblica não é afastamento automático, mas um processo que visa restaurar o caído”. (KELLER, Timothy. Galatians for You. Good Book Company, 2013, p. 134)

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Aqueles que receberam o chamado para cuidar da Igreja de Cristo têm uma responsabilidade maior diante dEle

d) A responsabilidade dos líderes é maior

“… havemos de receber mais duro juízo”
(Tg 3.1)

Joel Beeke conclui: “Os líderes espirituais estão em posição de influência eterna. Quando caem, o dano é profundo; por isso a responsabilidade é severa”. (BEEKE, Joel R. Living for God’s Glory: An Introduction to Calvinism. Reformation Trust, 2008, p. 357)

Conclusão: honra e vigilância

Neste Dia do Pastor, celebremos com gratidão aqueles que se dedicam a apascentar o rebanho de Cristo. Honremos nossos pastores com amor, sustento e oração — mas também com vigilância bíblica, pois eles mesmos prestarão contas diante de Deus (Hb 13.17).

A igreja madura honra seus pastores, mas nunca os idolatra. Ela ora por eles, os sustenta, os segue — e, se necessário, os corrige com amor e firmeza, sempre guiada pelas Escrituras.

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Comentários
  1. Muito bom! Que o Supremo Pastor, Jesus Cristo, abençoe cada Ungido no Reino de Deus! Amém! Pr.Faustino, Brasília/DF.

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