Ônibus com 37 anos: auditoria revela frota envelhecida no transporte intermunicipal do ES

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCES) identificou um cenário de irregularidades no sistema de transporte rodoviário intermunicipal de passageiros, com destaque para o envelhecimento extremo da frota em circulação: 11 das 15 empresas operadoras descumprem as regras estaduais sobre idade máxima permitida para ônibus, e algumas mantêm 100% dos veículos acima do limite legal de uso.

Pelas normas do Regulamento do Sistema de Transporte Rodoviário Intermunicipal de Passageiros (Sitrip), estabelecido pelo Decreto Estadual nº 3.288-N/1992, apenas 20% da frota de cada empresa pode ter mais de 13 anos de fabricação. A auditoria, no entanto, revelou que diversas operadoras extrapolam amplamente essa margem, incluindo casos em que toda a frota circula fora do padrão exigido.

Entre os casos mais críticos estão a Expressa Transportes e a Minastur, ambas com 100% dos ônibus em operação acima da idade máxima permitida. Na Viação São Gabriel, 14 dos 15 veículos, o equivalente a 93% da frota, também excedem o limite. Já a Viação Sudeste apresentou um dos cenários mais graves: 70% da frota, correspondente a 72 veículos, está acima de 13 anos, incluindo oito ônibus com mais de 30 anos e o veículo mais antigo de todo o sistema, com 37 anos de operação.

A auditoria também apontou altos índices de frota envelhecida na Viação São Roque, com 80% dos veículos irregulares; Viação Pretti, com 68%; Expresso Aracruz, com 67%; Viação Joana D’Arc, com 67%; Viação Alvorada, com 59%; Cordial Transportes, com 58%; e Real Ita, com 48%.

Além da idade avançada dos veículos, o levantamento revelou outras falhas operacionais e de segurança. Ao todo, 51 ônibus foram identificados circulando com certificado de cronotacógrafo vencido. O equipamento, conhecido como tacógrafo, funciona como uma espécie de caixa-preta, registrando velocidade, distância percorrida e períodos de condução e descanso dos motoristas.

Problemas específicos também foram encontrados em diferentes empresas. Na Cordial Transportes, foi identificado para-brisa trincado. Na Viação Alvorada, a auditoria constatou canais de comunicação desatualizados. Já na Viação Planeta, embora a frota esteja dentro dos limites de idade, foram verificadas falhas de limpeza, conservação e banheiros sem condições adequadas de uso, além da ausência de canais de atendimento. Na Viação Marilândia, dois veículos operavam com certificado de cronotacógrafo vencido, apesar de a frota estar dentro da idade regulamentar.

Entre as operadoras auditadas, a Viação Joana D’Arc foi a única cujas irregularidades se restringiram exclusivamente à idade da frota, sem registro de outras falhas adicionais.

O diagnóstico do TCES amplia a pressão sobre o sistema intermunicipal capixaba ao expor problemas estruturais, operacionais e de fiscalização em um serviço utilizado diariamente por passageiros de diversas regiões do Estado. A auditoria evidencia que, além do descumprimento de regras sobre renovação de frota, há fragilidades em itens de segurança, manutenção e qualidade do atendimento.

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas