Um dos pontos mais altos e mais aguardados de todas as edições da Festa da Penha acontece na noite deste sábado (12): a Romaria dos Homens. Já apelidada de “romaria das famílias”, já que a caminhada não atrai apenas os homens, a cada ano atrai mais pessoas. Cada passo rumo ao Convento da Penha, histórias de fé se entrelaçam e dão sentido a uma das maiores manifestações religiosas do Espírito Santo.
“Há mais de 30 anos eu participo. Comecei novo, com meus dois avôs, meu pai, irmão, tios e primos. Alguns já morreram, mas os que seguimos vivos, estamos aqui, todos os anos. É até interessante, porque a vida nos afasta, mas a romaria dos homens nos encontra. Vamos juntos, meu irmão, meus primos e, agora, a nova geração, porque nossos filhos e até netos vão conosco. Uma grande alegria”, celebra Ernesto Santoro, de 70 anos.
O neto de Ernesto, Pedro Santoro, que há cinco anos entrou no grupo da família durante a caminhada, diz gostar de rever os parentes e se unir a multidão. Inclusive as mulheres. “Fé une as pessoas. Parentes, como nós, ou não. Famílias inteiras e Nossa Senhora é mulher, abraçoa a todos. É bonito ver homens e mulheres juntos nesse longo caminho”.

Mais do que tradição, a romaria é um espaço de encontro entre devoção, memória e esperança, sentimentos que acompanham a trajetória da jornalista Loureta Samora, de 48 anos. Devota de Nossa Senhora da Penha desde o nascimento, Loureta cresceu em uma família católica que já carregava essa fé como herança. “Meu pai dizia que Nossa Senhora da Penha era madrinha dele, e eles ensinaram isso pra gente”, conta.
Natural de Cachoeiro de Itapemirim, foi somente após se mudar para a Grande Vitória, durante a faculdade, que ela passou a participar mais ativamente da Festa da Penha. Há mais de 20 anos, integra as romarias, especialmente a das mulheres, uma tradição que, com o tempo, ganhou novos significados.
Um dos momentos mais marcantes aconteceu em 2015, quando ela acompanhou pela primeira vez a Romaria dos Homens. “Eu vi aquele mar de gente rezando, cantando e quando a imagem passou por mim, foi uma emoção muito grande, difícil de explicar”, relembra. Naquele mesmo período, Loureta enfrentava um desafio pessoal: assumir uma nova responsabilidade profissional que a deixava insegura. Diante disso, fez um pedido. “Eu rezei pedindo proteção, pedindo que ela me desse discernimento e que eu desse conta. E deu certo. Já são dez anos nessa missão”, afirma.
Outra experiência reforçou ainda mais sua devoção. Em 2019, após ficar desempregada pela primeira vez, ela vivia um momento de incerteza. Durante a Festa da Penha, no entanto, veio a resposta. “Na sexta-feira, depois que saí do convento, o telefone tocou. Era uma oportunidade de trabalho. Na terça-feira, depois do dia da santa, eu já estava empregada”, lembra.
Sobrevivente transforma romaria em agradecimento
Para a servidora pública Francini Benevides, a romaria é mais do que tradição, é um ato de gratidão pela vida. Há 13 anos participando da caminhada, ela conta que tudo começou com o desejo de se aproximar de Nossa Senhora da Penha. Com o tempo, a motivação ganhou um novo significado.
“Hoje não é só tradição. É uma necessidade do meu coração, um compromisso de gratidão”, afirma.
A cada edição, a fé se renova. Francini descreve a experiência como um processo de entrega. “É como se eu deixasse um peso para trás e recebesse paz no lugar. É difícil explicar, mas quem vive, sente”, conta.
Mas foi um episódio fora da romaria que transformou definitivamente sua relação com a devoção. Em 2018, ela contraiu uma infecção generalizada que a deixou internada por 24 dias, quando sua filha tinha apenas seis meses. “Foi um período de dor e medo, mas também de entrega. Eu não tenho dúvida nenhuma de que Nossa Senhora intercedeu por mim. Ela cuidou de mim e da minha família”, relembra.
Desde então, cada passo na romaria passou a carregar um novo sentido e a sua relação com Nossa Senhora da Penha mudou por completo. “Antes era devoção. Hoje é entrega e confiança total. Ela se tornou uma mãe que me acolheu no momento em que eu mais precisei”, afirma.
Entre o cansaço físico e a emoção, um sentimento se destaca ao final do percurso: gratidão. “É algo que não cabe no peito. Transborda nos olhos, nas orações, em cada passo”, conclui.
Programação de romarias
Sábado (11)
17h – Missa de Envio na Catedral Metropolitana, Centro de Vitória
18h – Início da Romaria dos Homens
23h – Missa de Encerramento da Romaria dos Homens no Parque da Prainha
Domingo (12)
8h – Remaria, concentração às 7h30 na Praia do Ribeiro, Praia da Costa
8h – Concentração Moto Romaria na Praça Encontro das Águas, Serra. Saída às 9h em direção à Prainha – Realização: Polícia Rodoviária Federal
9h – Missa com a Romaria da Diocese de Colatina no Campinho do Convento – transmissão ao vivo (tvs, rádios, internet)
15h30 – Romaria das Mulheres – saída do Santuário de Vila Velha – transmissão ao vivo (TVE, tvs, rádios, internet)
Segunda-feira (13)
7h30 – Romaria dos ciclistas de Vitória – saída da Praça da Catedral de Vitória em direção à Prainha
8h – Romaria dos Conguistas, saída do portão do Convento em direção ao Campinho
8h – Romaria dos Ciclistas de Vila Velha – saída em frente à praça Sebastião Cibien, em Cobilândia, Vila Velha









