Incêndios em ônibus do Transcol já geraram prejuízo milionário; população paga a conta

O ônibus incendiado na manhã desta segunda-feira (23), no bairro Morada da Barra, em Vila Velha, expõe um problema recorrente que afeta diretamente quem depende do transporte público e reduz a frota do Sistema Transcol.

O coletivo da linha 616 (Terminal de Itaparica / Morada da Barra via Barramares) foi o primeiro registro de incêndio em 2026. No ano passado, 10 veículos foram incendiados. Em 2024, foram três casos.

Os números acumulados chamam a atenção: em pouco mais de 20 anos, entre 2004 e 2026, 104 ônibus do Sistema Transcol foram incendiados por criminosos (todos completamente destruídos).

O impacto financeiro, considerando apenas os veículos que tiveram perda total, chega a R$ 83,2 milhões no período. O cálculo leva em conta o valor atual de reposição da frota: um ônibus novo custa, em média, R$ 800 mil, enquanto um micro-ônibus sai por cerca de R$ 650 mil.

Além do prejuízo milionário, há o impacto operacional. De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus), um coletivo novo leva cerca de três meses para ser fabricado. Depois disso, ainda há o tempo necessário para cumprir trâmites legais e administrativos até que o veículo esteja apto a circular.

Na prática, isso significa menos ônibus disponíveis, possíveis ajustes na operação e reflexos diretos no tempo de espera e na lotação dos coletivos. Embora o prejuízo recaia principalmente sobre as empresas concessionárias, o efeito acaba sendo sentido por toda a população que depende diariamente do sistema

Casos em 2025

Um dos episódios mais recentes ocorreu no dia 19 de setembro, nos bairros Nova Carapina II e Cidade Pomar, na Serra. O primeiro incêndio foi registrado por volta das 4h45, assustando moradores da região. Passageiros relataram dificuldades com a suspensão temporária da circulação nos bairros Nova Carapina, Cidade Pomar e parte de Eldorado.

Horas depois, um segundo ônibus do Sistema Transcol foi incendiado no período da tarde. A suspeita é de que o crime tenha sido uma represália à morte de um homem durante confronto com a polícia. Segundo informações da época, o coletivo havia acabado de parar para o embarque de passageiros quando criminosos ordenaram que todos descessem e, em seguida, atearam fogo. Nove pessoas estavam dentro do veículo, mas ninguém ficou ferido.

No mesmo dia, um terceiro coletivo também foi alvo de vandalismo e acabou apedrejado.

 

Karla Silveira
Karla Silveira
Jornalista graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), pós-graduada em Análise de Cenários e Marketing Estratégico.

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