O tabuleiro político do Espírito Santo começou a ganhar contornos mais nítidos nesta quinta-feira. Em um movimento estratégico e carregado de simbolismo, o ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, acompanhado pelo presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, levou sua comitiva ao litoral sul do estado. O destino não foi aleatório: a região é o berço político e reduto histórico do clã Ferraço.
Ao desembarcarem em solo sulista, os republicanos fincaram o que chamam de “marco zero” da pré-campanha de Pazolini ao Palácio Anchieta. O gesto é uma clara investida no território onde o atual prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Theodorico Ferraço, exerce sua quinta gestão e mantém uma influência que transborda os limites da cidade, alcançando dezenas de municípios vizinhos.
A investida no Sul é audaciosa. Ao entrar na “casa” de Theodorico Ferraço e, por extensão, no território de influência do vice-governador Ricardo Ferraço, o grupo de Pazolini sinaliza que a eleição estadual não será uma “corrida de um cavalo só”.
A presença de tantos ex-prefeitos e lideranças locais indica que há um vácuo de representatividade ou, no mínimo, uma insatisfação latente que o Republicanos pretende capitalizar. A partir de agora, o Sul deixa de ser apenas um curral eleitoral consolidado para se tornar o principal campo de batalha desta fase inicial da disputa.
O peso do regionalismo e a força do grupo
Se a intenção era demonstrar que Pazolini não caminha sozinho, o evento em Itapemirim cumpriu o papel. A reunião conseguiu aglutinar uma frente expressiva de lideranças que, por diferentes razões, orbitam fora da atual esfera governista estadual. Estiveram presentes sete ex-prefeitos de peso na região:
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Reginaldo Quinta (Presidente Kennedy)
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Thiago Peçanha e Alcindo Cardoso (Itapemirim)
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Marquinhos Messias e Ubaldo (Bom Jesus do Norte)
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Betinho (Apiacá)
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Jaiminho (Marataízes)
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Além de Jadilson Maravilha (três vezes vice-prefeito de Piúma) e dezenas de vereadores.
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Discurso da “independência”
Pazolini manteve o tom que adotou desde que deixou a Prefeitura da Capital, focando no discurso da meritocracia e da distância das elites tradicionais. Em uma fala que ecoou como um desafio direto ao establishment, o pré-candidato enfatizou sua origem e estilo de vida.
“Graças a Deus, eu vivo do meu salário, eu vivo do meu trabalho… Eles não! E vocês sabem do que eu estou falando. Estamos aqui para construir um Espírito Santo para todos, e não para um pequeno grupo, não para os filhos dos poderosos”, afirmou Pazolini, sob aplausos.
Para o ex-prefeito, a energia emanada do litoral sul é o combustível necessário para que a pré-campanha ganhe tração estadual, classificando o momento como o ponto de virada para “transformar o Espírito Santo”.
Musso: “tentaram nos isolar”
Erick Musso, o articulador por trás da robusta estrutura do Republicanos, reforçou a narrativa de resistência. Segundo ele, houve uma tentativa deliberada das elites políticas e grupos econômicos de isolar a figura de Pazolini.
“Tentaram dizer que Pazolini era uma única voz, mas o povo capixaba não o deixou sozinho. Não é mais o sonho de uma pessoa, é a voz dos 78 municípios que clamam por honestidade e por um gestor que entre e saia pela porta da frente”, pontuou Musso.









