“Clarinha”, a paciente que há quase 24 anos estava internada no Hospital da Polícia Militar (HPM), em Vitória, sem identificação oficial, morreu na noite de quinta-feira (14). Ela passou mal durante a manhã e depois teve uma broncoaspiração.
“Clarinha” foi atropelada no dia 12 de junho de 2000, no Centro de Vitória, e entrou em estado vegetativo. Ela não tinha documentos, foi internada sem identificação e ganhou esse apelido carinho da equipe médica que cuidou dela ao longo dos anos, em especial o coronel aposentado Jorge Potratz.
Nesses 24 anos, mais de 100 pessoas, de várias partes do país, procuraram o Ministério Público (MPES), que é o responsável pelas investigações sobre “Clarinha”. Em 2019, uma família do Piauí, no nordeste, se manifestou alegando que ela poderia ser uma parente desaparecida que eles procuravam.
Em 2021, as investigações apontaram que “Clarinha” podia ser uma criança de 1 ano e 9 meses desaparecida em 1976, em Guarapari. Na época, a família, que é de Minas Gerais, passava férias no Estado.
No entanto, tudo foi descartado e ninguém conseguiu descobrir o verdadeiro nome de “Clarinha” ou encontrar familiares dela. “Infelizmente descansou sem que um parente consanguíneo pudesse ser identificado”, diz o HPM.
Segundo o Hospital, “Clarinha” tinha marcas de cesárea, o que indica que teve um filho. Pelos cálculos dos profissionais, ela faleceu com cerca de 45 anos. Quando um paciente não tem identificação, costuma ser enterrado como indigente.
Questionada, a Polícia Militar disse que a Diretoria de Saúde está realizando os contatos com os médicos que “Clarinha” e com o Ministério Público para a adoção das medidas administrativas que permitam o sepultamento dela, por se tratar de pessoa sem qualquer tipo de identificação.
O corpo de “Clarinha” foi encaminhado para o Departamento Médico-Legal (DML) ainda na noite de ontem.










