Sonho de infância realizado, orgulho da profissão, dignidade conquistada e o prazer de ver a cidade limpa. Essas são algumas das histórias que marcam a trajetória de garis e coletores que atuam diariamente nas ruas do Espírito Santo.
No Dia do Gari, celebrado em 16 de maio, profissionais da limpeza urbana da Grande Vitória e de São Mateus relatam desafios, superações e momentos emocionantes vividos durante a rotina de trabalho.
Aos 64 anos, Benivaldo de Almeida Simões carrega no rosto a tranquilidade de quem sente orgulho do caminho percorrido. Pai de dois filhos e há 12 anos trabalhando como gari na coleta de Anchieta, pela Forte Ambiental, ele resume a profissão de forma direta.
“Para mim ser gari é tudo, porque sem o gari a cidade não fica limpa. Não há nada melhor do que amanhecer e ver as ruas limpas. Nossa profissão é de extrema importância e tenho muito orgulho de fazer parte disso.”
Foi na profissão que Benivaldo conseguiu realizar o sonho da casa própria.
“Com muita dedicação e fé em Deus, consegui conquistar meu lote, minha casa e construir uma vida com mais estabilidade para minha família”, destacou.
Apaixonado por pesca, ele diz que hoje consegue viver momentos de tranquilidade e lazer graças à estabilidade conquistada no trabalho.
“Hoje, não tenho do que reclamar, apenas agradecer.”

“Ser gari representa dignidade”
Em Cariacica, Rozilene dos Anjos Ramos, de 42 anos, também carrega orgulho da profissão. Mãe de três filhos, ela trabalha há 18 anos como gari e há mais de uma década atua na Forte Ambiental.
“Ser gari pra mim representa dignidade, esforço e cuidado com as pessoas. É um trabalho muito importante, porque ajudamos a manter a cidade limpa, organizada e saudável para todos”, afirmou.
Rozilene destaca que deseja ver a profissão cada vez mais valorizada pela sociedade.
“Ser gari também representa honestidade, responsabilidade e a luta diária para dar o melhor para minha família.”
“Meu sonho era ser gari”
Em Guriri, no Norte do Estado, Marilene Ramos dos Santos se emociona ao falar da profissão. Aos 48 anos e há oito trabalhando como gari, ela lembra que sonhava em fazer parte da categoria.
“Eu sonhava em ser gari. Quando via um gari na rua, perguntava como ele tinha feito para entrar, porque eu queria fazer a mesma coisa para conseguir ser gari. Até que eu consegui, graças a Deus”, contou.
Marilene relata que a rotina começa cedo, sempre com oração e disposição para o trabalho.
“Eu amo muito o que eu faço. Gosto de ver meu ambiente de trabalho limpo, gosto dos elogios dos moradores e gosto quando minha rota está limpa.”
Ela guarda na memória um momento especial vivido durante a profissão: um café da manhã que recebeu de uma moradora no bairro Cohab, em São Mateus. “Está na minha memória um momento muito especial.”
“Me sinto um herói da cidade”

Para Jhonatan de Almeida Cacian, de 38 anos, trabalhar na coleta de resíduos é a realização de um sonho de infância.
Casado e pai de duas meninas, ele atua há oito anos na Forte Ambiental.
“Trabalhar na coleta sempre foi um sonho de criança. Minha alegria é estar no caminhão e ver o brilho nos olhos das crianças quando passamos. Me sinto como um herói da cidade.”
Segundo ele, a profissão vai muito além da limpeza urbana.
“É motivo de muito orgulho deixar a cidade limpa. Nosso trabalho é importante para todos.”
Entre o trabalho e os estudos
A rotina também exige resistência física e emocional. Aos 29 anos, Cesar Augusto de Amaral Marcelino divide os dias entre a limpeza urbana e o curso técnico de segurança do trabalho no Ifes.
“É bastante cansativo trabalhar no horário da manhã e na parte da tarde/noite ter que ir pro curso. Eu só consigo porque tenho motivação pra continuar. Minha família.”
Mesmo sentindo, em alguns momentos, que passa despercebido pela sociedade, ele diz que o carinho das crianças muda completamente o dia.
“Tem pessoas que nos tratam como heróis, principalmente as crianças que têm um carinho imenso quando estamos passando.”
Orgulho construído na profissão
Em São Mateus, Wuidson de Macedo Geraldino soma 26 anos na coleta de resíduos. Aos 51 anos, ele lembra dos desafios enfrentados ao longo da trajetória, incluindo episódios de preconceito.
“No início da minha profissão, sofri muito preconceito e bullying. Muitas vezes éramos xingados. Nos chamavam de ‘lixeiro’ de forma pejorativa, como se fôssemos invisíveis para a sociedade.”
Apesar disso, ele afirma que a profissão lhe deu dignidade e sustentou a família.
“Foi sendo coletor que consegui criar meus quatro filhos, conquistar minha casa, meu espaço, meu caráter e minha dignidade. Sou feliz porque sou coletor.”
Ao longo dos anos, Wuidson também encontrou reconhecimento em pequenos gestos.
“Eu me emocionava quando crianças vinham nos abraçar ou quando moradores ofereciam um café ou uma água e desejavam que Deus nos abençoasse.”









