Em comemoração do Mês dos Povos Ciganos e Dia do Ceramista na UFES, quinta-feira (28), acontece uma feira de arte étnica! A I Feira de Artes Ciganas Calons reúne arte cerâmica produzida pelas mulheres e meninas calins, a costura tradicional calon com desfile de moda cigana, mostra de acessórios, cartomancia tradicional cigana e música calon.
A organização é do projeto “Autonomia Calin com mulheres ciganas tradicionais”, e acontecerá a partir das 9 horas, em frente ao Laboratório de Cerâmica, no Centro de Artes da UFES, Campus Goiabeiras, em Vitória.
As mulheres ciganas e suas filhas participaram de oficinas de iniciação à cerâmica, intitulada “Cerámica Peregrina”, em parceria com professores, graduandos e doutorandos do Centro de Artes da Universidade, e vão expor suas obras de cerâmica artística e utilitária como: potes ciganos, imagens de Nossa Senhora Aparecida Calin e porcos cofrinhos. A instrutora da oficina no acampamento em Cariacica foi a professora da UFES e ceramista Isabela Frade.
As mulheres ciganas também vão expor as bonecas ciganas calins, acessórios e participarão de um desfile de moda cigana com as vestimentas étnicas calons produzidas nas oficinas de costura criativa, em parceria com o Núcleo Produtivo Ícones Capixabas da instrutora Jupiara Silva.
Antes do evento elas tiveram mentoria de fortalecimento em comunicação empreendedora com a coordenadora do projeto e instrutora Déborah Sathler. “Segundo a ONU Mulheres, a comunicação é um fator predominante no empoderamento de mulheres. Foram trabalhados o protagonismo feminino cigano de meninas e mulheres, frente ao preconceito estrutural que com as ciganas é ainda maior, pois não contam com nenhuma política afirmativa, bem como estratégias no enfrentamento às violências, e a importância de visibilizar-se e de visibilizar seu trabalhos artísticos e culturais”, disse.
Ainda segundo a instrutora, as mulheres ciganas calons sempre foram empreendedoras. “Seja nas artes divinatórias com a leitura de sina que sofreu apagamento histórico e usurpação, e artisticamente com a costura tradicional calon, arte mantida viva nos acampamentos calons capixabas”, afirmou.
Lucimara Pereira, 23 anos, que vive no acampamento de Cariacica, mãe de três filhos, comemora. “Para nós foi muito bom, precisamos que nos vejam. Chegaram máquinas de costuras novas para produzirmos nossas vestimentas, fizemos cerâmica, bonecas ciganas, participamos de eventos fora do acampamento e aprendemos coisas novas, estamos felizes aqui na comunidade”.









