Uma reflexão sobre a memória material e imaginada: essa é a proposta da exposição “Memórias e Cores da Casa – O Ontem e o Hoje do Espaço Thelema”, que está aberta ao público até o dia 7 de julho, no Espaço Thelema, localizado no Centro de Vitória. A mostra reúne cerca de dez trabalhos produzidos a partir de uma oficina ministrada pela artista visual Fernanda Hott, tendo como ponto de partida o acervo fotográfico de antigas moradoras do imóvel onde hoje funciona o próprio centro cultural no qual a exposição acontece. As obras da mostra são assinadas por Ernani Ribeiro, Felipe Fernández, Todeska Badke, Lana Figueira e Camila Benezath. A exposição também faz parte da programação do Festival Entrelaços. A entrada é franca.
Para a criação dos trabalhos, os artistas em exposição atenderam a uma proposta de reconstrução da história documentada. Isso aconteceu durante uma oficina realizada nos meses de outubro e novembro de 2025, na qual os participantes buscaram responder à pergunta: “O que sonham as fotografias quando ninguém as vê?”. Nessa formação e ateliê, eles tiveram acesso a registros fotográficos de antigas moradoras da casa, especialmente imagens que documentam o cotidiano da família Jesus. A partir daí, fazendo uso de técnicas como a colagem e o bordado, propuseram uma história imaginada a partir da interpretação das imagens, apresentando diferentes leituras sobre contextos, relações e situações retratadas.
Cada autor dos trabalhos em exposição partiu de suas vivências e repertórios pessoais para criar novas leituras a partir das fotografias. Por exemplo, Camila Benezath, que é fortemente conectada ao Carnaval, escolheu imagens de um baile de Carnaval no Clube Saldanha da Gama como referência para seu trabalho. Ela partiu de imagens em que é recorrente a presença masculina em momentos de confraternização, enquanto as mulheres apareciam associadas a atividades religiosas ou à prática do piano. A partir dessa leitura, a artista propôs uma inversão dos papéis nas imagens recriadas.
Fernanda Hott explica que se trata da fotografia expandida, técnica que utiliza o retrato fotográfico como base e incorpora outros elementos visuais para ampliar seu significado: “Acredito que o presente se alimenta do passado e, quando essas fotos e memórias são acessadas e ressignificadas, elas ‘acordam’ para um presente cheio de novas possibilidades de interpretação e discussão do passado. Por exemplo, durante a oficina, notamos que havia muitas fotos de concursos de beleza, colocando a mulher como elemento decorativo, ou a foto do flagrante de um beijo num baile de Carnaval, que não seria uma pose intencional na época, ou questões de comportamento e vestimenta em diferentes épocas do passado”.

Sobre o Festival Entrelaços
Uma realização do Espaço Thelema em comemoração aos seus sete anos de existência, o Festival Entrelaços consiste em uma programação contínua até 2027, que envolverá mais de 60 artistas e agentes culturais das mais diversas áreas em atividades que reforçam a inclusão social, a diversidade artística e o estímulo à formação de público.
Por sua atuação contínua, consistente e colaborativa, a Thelema é hoje um equipamento cultural comprometido com a democratização da cultura, com o fortalecimento da economia criativa e com a construção de um território culturalmente vivo e plural. Seu trabalho autônomo e enraizado aproxima pessoas e impulsiona a cena artística local e regional. O Festival Entrelaços é a materialização dessa rede criativa articulada a partir da Thelema.
O Festival Entrelaços é realizado por meio do Edital de Programação Continuada de Espaços Culturais, da Secretaria da Cultura (Secult), e conta com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura) e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), Governo Federal.









