Santa Maria de Jetibá, na região Serrana do Espírito Santo, manteve a liderança nacional na produção de ovos em 2025. O município produziu 352,5 milhões de dúzias ao longo do ano, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume equivale a aproximadamente 4,23 bilhões de ovos.
A cidade também ocupa o primeiro lugar do país em quantidade de galináceos, com 18,4 milhões de aves, cerca de 890,5 mil a mais do que em 2024. Desse total, 15,1 milhões são galinhas destinadas à produção de ovos.
O desempenho coloca o município capixaba à frente de outros importantes polos produtores, como Bastos, em São Paulo; São Bento do Una, em Pernambuco; Primavera do Leste, em Mato Grosso; e Santo Antônio do Monte, em Minas Gerais.
A liderança ocorre em um momento de expansão da avicultura brasileira. Em 2025, o país produziu 5,7 bilhões de dúzias de ovos, crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior. O valor da produção chegou a R$ 36,4 bilhões, alta de 13,9%.
O efetivo nacional de galináceos alcançou 1,6 bilhão de aves, enquanto o número de galinhas chegou a 293,3 milhões, crescimento de 5,8%.
Setor calcula produção ainda maior
Apesar dos números expressivos do IBGE, a Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES) estima que a produção de Santa Maria de Jetibá tenha sido superior à registrada pela pesquisa oficial. De acordo com a entidade, o município produziu aproximadamente 392,6 milhões de dúzias em 2025, o equivalente a 4,71 bilhões de ovos.
O diretor executivo da AVES, Nélio Hand, explica que os cálculos da associação consideram informações do setor de postura comercial e apresentam resultados diferentes dos levantamentos do IBGE.
Para ele, independentemente da metodologia utilizada, os números confirmam a importância da avicultura capixaba no abastecimento do mercado brasileiro.
A posição alcançada por Santa Maria de Jetibá é resultado de décadas de desenvolvimento da atividade, com investimentos em genética, alimentação, tecnologia, automação e controle sanitário.
A produção também movimenta uma rede de trabalhadores e empresas, incluindo granjas familiares, médicos-veterinários, fornecedores de insumos, transportadoras e distribuidoras.
Frango produzido no ES abastece principalmente o mercado local
Além dos ovos, a produção de frangos para abate tem participação importante na economia capixaba. Segundo levantamento da AVES, o Espírito Santo produziu 122 mil toneladas de frango abatido em 2025. A maior parte, 76%, foi destinada ao consumo dentro do próprio estado. Outros 21% seguiram para mercados como Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os 3% restantes foram exportados para países e territórios como Hong Kong, Congo, Singapura, Guiné, Suriname, Serra Leoa, África do Sul e Angola.
Embora tenha participação relativamente pequena no mercado brasileiro, a atividade é responsável por movimentar a economia regional e gerar empregos em diferentes etapas, desde a criação das aves até o processamento e a comercialização da carne. Nélio Hand ressalta que a produção de ovos e a de frangos possuem características distintas, mas ambas contribuem para a geração de renda e o abastecimento de alimentos.
Suinocultura também apresenta diferença entre levantamentos
Na criação de suínos, os números do IBGE indicam que o Espírito Santo registrou um rebanho superior a 160 mil animais em 2025. No Brasil, o efetivo ficou próximo de 44 milhões de cabeças, praticamente estável em relação ao ano anterior. Entretanto, a Associação de Suinocultores do Espírito Santo (ASES) apresenta um levantamento diferente. Segundo Nélio Hand, que também dirige a entidade, os registros estaduais de abate apontam movimentação superior a 350 mil animais no período.
A diferença exige atenção porque os indicadores não representam necessariamente a mesma informação: enquanto a pesquisa do IBGE contabiliza o efetivo de animais, os registros de abate acompanham o volume de suínos destinados ao processamento.
Custo da ração preocupa produtores
Mesmo com os resultados positivos, a produção de ovos, frangos e suínos enfrenta desafios que podem afetar a rentabilidade das atividades. Um dos principais problemas é o custo da alimentação animal. Milho e farelo de soja representam uma parcela importante das despesas nas granjas, e as oscilações de preços desses insumos têm impacto direto sobre os produtores.
No Espírito Santo, a situação é agravada pela dependência de milho adquirido em outras regiões do país, o que acrescenta despesas com transporte. Outro ponto de atenção é a variação dos preços recebidos pelos produtores. Nem sempre o valor pago pelos produtos acompanha o aumento das despesas, reduzindo as margens de lucro.
“O principal desafio hoje é manter a competitividade da produção diante de custos que podem oscilar bastante e de um mercado que nem sempre acompanha essa variação”, afirma Hand.
A prevenção de doenças também exige investimentos permanentes. Na avicultura, a influenza aviária continua entre as principais preocupações sanitárias, exigindo controle de acesso às propriedades, higienização, monitoramento e treinamento das equipes. Na suinocultura, os produtores também precisam manter medidas de biossegurança para evitar a entrada e a disseminação de doenças que possam comprometer os rebanhos.
Para as entidades do setor, ampliar a produção é apenas parte do desafio. A manutenção da competitividade depende de eficiência, controle de custos, segurança sanitária e capacidade de adaptação às mudanças do mercado.










