O planejamento financeiro para pagar a faculdade dos filhos pode começar ainda na infância. Com aportes mensais e tempo para acumular recursos, as famílias podem construir uma reserva para ajudar a custear o ensino superior e reduzir o esforço financeiro quando chegar a hora de ingressar na universidade.
Uma simulação baseada em uma rentabilidade real hipotética de 6% ao ano mostra a diferença que o prazo pode fazer. Para acumular cerca de R$ 40,1 mil em 15 anos, por exemplo, seria necessário investir aproximadamente R$ 140 por mês. Se o período for reduzido para cinco anos, o aporte mensal sobe para cerca de R$ 577.
Além de contribuir para o planejamento do futuro, começar cedo também pode ser uma oportunidade para ensinar às crianças como lidar com o dinheiro. Uma revisão de mais de 100 estudos conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge aponta que hábitos e atitudes financeiras começam a se formar por volta dos sete anos.
No Brasil, dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2022 mostram que apenas 2% dos estudantes avaliados alcançaram o nível mais alto de proficiência em educação financeira. Entre os países participantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a média foi de 11%.
Para Cecília Perini, líder da XP no Espírito Santo, o aprendizado pode começar com situações simples do cotidiano, antes mesmo de abordar investimentos.
“O mais importante é que a criança comece a entender, de acordo com a sua idade, que o dinheiro está relacionado a escolhas, planejamento e objetivos”, afirma.
Como ensinar educação financeira em cada idade
Entre os 3 e os 6 anos, os pais podem apresentar conceitos básicos, como a diferença entre necessidade e desejo, além da importância de esperar para conseguir algo. Um cofrinho transparente, por exemplo, ajuda a criança a acompanhar o crescimento da quantia guardada.
Dos 7 aos 12 anos, a mesada pode funcionar como um exercício de responsabilidade financeira. Uma estratégia é separar o dinheiro entre gastos imediatos, economia para objetivos futuros e, eventualmente, ajuda a outras pessoas.
Se a criança quiser comprar um brinquedo de R$ 100 e conseguir guardar R$ 10 por mês, por exemplo, precisará de dez meses para alcançar o valor, desconsiderando eventuais rendimentos. A experiência ajuda a demonstrar a relação entre planejamento, tempo e realização de objetivos.
Na adolescência, o aprendizado pode avançar para o uso responsável de uma conta bancária e o conhecimento sobre investimentos. Essas atividades devem ocorrer com a participação e a supervisão do responsável legal, conforme as regras da instituição financeira.
Segundo Cecília, não existe uma idade única para começar a investir. O planejamento depende da realidade financeira de cada família e do objetivo pretendido. O tempo disponível, no entanto, pode favorecer quem começa mais cedo.
Quanto guardar para pagar a faculdade
O valor necessário para formar uma reserva varia conforme o curso e o prazo disponível. Na simulação apresentada pela XP, considerando uma rentabilidade real hipotética de 6% ao ano e um período de 15 anos, o aporte mensal seria de aproximadamente R$ 202 para uma reserva equivalente ao custo de uma graduação em Engenharia.
Para Medicina, o valor estimado chega a R$ 2.861 por mês, de acordo com os custos de referência utilizados no levantamento.
Os cálculos consideram aportes feitos ao fim de cada mês e valores brutos. Os custos dos cursos têm como referência medianas nacionais de mensalidades e não incluem bolsas, impostos, taxas ou reajustes diferentes da inflação. Os resultados são estimativas, não garantias de rentabilidade.
A regularidade dos aportes e a definição de uma meta ajudam a organizar o planejamento. Também é importante que a família reveja os valores periodicamente, considerando mudanças na renda e nos custos previstos para a educação.
Quais investimentos podem ser utilizados
Entre as alternativas para formar uma reserva para os estudos está o Tesouro Educa+, título público voltado ao planejamento educacional. O investimento acompanha a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acrescida de uma taxa de juros definida na compra.
Na data de conversão escolhida, o título começa a pagar o valor acumulado em 60 parcelas mensais, distribuídas ao longo de cinco anos.
Outras possibilidades incluem o Tesouro IPCA+, a previdência privada e diferentes produtos financeiros. A escolha deve levar em conta o prazo, os custos, a tributação, a liquidez — facilidade para transformar o investimento em dinheiro — e os riscos de cada alternativa.
A XP também oferece a Conta Menor, destinada a crianças e adolescentes sob responsabilidade de um adulto. Segundo a instituição, a solução permite utilizar recursos como Pix, pagamentos e cartão de débito digital, além de acessar investimentos disponíveis na plataforma, com acompanhamento dos responsáveis.
Para Cecília Perini, o primeiro passo é definir o objetivo antes de escolher onde aplicar o dinheiro.
“O investimento é uma ferramenta para realizar um objetivo. Antes de escolher um produto, é importante que a família tenha clareza sobre o que quer construir para aquela criança e em quanto tempo”, afirma.










