Cooperativismo de crédito aproxima produtores rurais e instituições financeiras

O acesso a serviços financeiros faz parte dos desafios enfrentados por produtores rurais e empresários. Além de buscar crédito para investir, esses profissionais precisam organizar o fluxo de caixa, planejar a compra de equipamentos e insumos e lidar com as despesas e receitas de suas atividades.

A relação entre o cooperativismo de crédito e a rotina dos empreendedores esteve no centro de uma visita a um associado do Sicredi em Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha. A atividade integrou o 11º Encontro Nacional com Jornalistas promovido pela instituição e teve como objetivo apresentar uma experiência prática de relacionamento entre a cooperativa e quem utiliza seus serviços.

R$ 1,2 bilhão ao agronegócio capixaba

No Espírito Santo, o cooperativismo de crédito também atende produtores rurais e empreendedores de diferentes segmentos. De acordo com os dados apresentados na pauta do encontro, o Sicredi já destinou mais de R$ 1,2 bilhão ao agronegócio capixaba, considerando operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), segundo dados de 2025.

O café, uma das atividades relevantes do agronegócio estadual, pode servir de ponto de comparação entre a experiência gaúcha e a realidade capixaba. As necessidades de financiamento, porém, variam conforme a atividade, o tamanho do negócio, o ciclo produtivo e os objetivos de cada associado.

Segundo César Bochi, diretor-presidente do Banco Cooperativo Sicredi, cada região do Brasil tem suas necessidades, e é preciso avaliar cada caso. Apesar das diferenças regionais, ele afirma que os produtores compartilham objetivos semelhantes relacionados ao desenvolvimento de suas atividades.

“Cada lugar tem suas particularidades, mas todo e qualquer produtor pode buscar o auxílio da nossa cooperativa para ajudar no desenvolvimento do seu negócio. O Espírito Santo, assim como o Rio Grande do Sul, tem muitos pequenos produtores, agricultura familiar e que podem contar com nossas orientações. O produtor de café capixaba, assim como os produtores rurais gaúchos, estão cada vez mais buscando conhecimento em relação ao cooperativismo, montando suas cooperativas e fazendo com que o negócio prospere e seja bom para todos os associados”, disse.

Da família para o mercado nacional

Um exemplo dessa relação é o de Fernando Grings, apicultor e produtor de mel de Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul. Associado ao Sicredi há 35 anos, ele desenvolve uma atividade familiar que conquistou espaço no mercado nacional. Atualmente, o mel produzido pelo negócio é comercializado em diferentes regiões do Brasil.

Cooperativismo de crédito aproxima produtores rurais e instituições financeiras
Foto: divulgação

A trajetória de Fernando também está ligada à valorização da produção artesanal e à identidade regional. Ele participa de iniciativas do setor, como a NovaMelfest, evento dedicado à produção de mel, e integra o grupo de produtores associados da região que recebeu o Selo Arte por meio da Associação de Apicultores e Meliponicultores de Nova Petrópolis. A certificação permite reconhecer produtos alimentícios artesanais que atendem aos requisitos estabelecidos para sua concessão.

Para o produtor, o cooperativismo teve papel importante no desenvolvimento do negócio e na ampliação de seu alcance comercial. “Hoje nós vendemos mel para todo o Brasil. Um negócio local, familiar, que gerou bons frutos e o nosso cooperativismo ajudou a alavancar”, destacou.

A parceria entre o Sicredi, o Sebrae e produtores da Serra Gaúcha também envolve iniciativas de apoio às agroindústrias locais. Entre elas está o suporte para custear análises técnicas e microbiológicas necessárias ao processo de obtenção da Indicação Geográfica (IG) para o mel de Nova Petrópolis. O reconhecimento busca valorizar a origem e as características do produto, além de contribuir para sua diferenciação no mercado.

A Indicação Geográfica fortalece a identidade do mel produzido no município e ampliar as oportunidades de comercialização, especialmente em mercados que exigem garantias de procedência e qualidade. O trabalho conjunto também demonstra como o apoio às agroindústrias pode ir além do financiamento tradicional, contribuindo para a valorização da produção local.

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