O Dia Internacional do Chef de Cozinha, celebrado nesta terça-feira (20), destaca o trabalho de profissionais que transformam a gastronomia em profissão. Em Vitória, a data também chama atenção para a presença feminina em uma área na qual as mulheres ainda enfrentam barreiras para ocupar cargos de liderança. É nesse cenário que a chef Patrícia Santos Neves comanda a panificação e a rotisseria do Empório Joaquim.
Com mais de 15 anos de experiência na gastronomia, Patrícia lidera uma equipe de dez pessoas e acompanha de perto a produção da padaria, onde já desenvolveu mais de 60 receitas com fermentação natural. O trabalho envolve desde a criação das preparações até o controle das etapas de fabricação, em um processo que exige técnica, tempo e atenção aos detalhes.
A trajetória profissional começou com referências familiares. Patrícia aprendeu sobre cozinha ao lado da bisavó, da avó e da mãe, que, embora não tenham seguido a culinária profissionalmente, ensinaram a ela a relação entre comida e cuidado.
Mais tarde, a chef se especializou na Escola Internacional de Cozinha Italiana, no Castelo de Costigliole d’Asti, na Itália, e passou por diferentes cozinhas antes de chegar ao Empório Joaquim, negócio do qual é sócia ao lado do irmão. Na empresa, também esteve à frente da cozinha do bistrô antes de assumir a panificação e a rotisseria.
“Entendo que o trabalho bem feito, todos os dias, acaba falando por si. E ninguém faz isso sozinha. Tenho ao meu lado uma equipe talentosa e comprometida, que veste a camisa e cuida de tudo comigo. Hoje, ver a nossa padaria abraçada pelo público de Vitória é a resposta que eu sempre quis dar, e essa conquista é de todos nós”, afirma.
Fermentação natural exige tempo e técnica
Entre os destaques do trabalho desenvolvido por Patrícia está a produção de pães com fermentação natural. Diferentemente dos processos que utilizam fermentos comerciais de ação rápida, a técnica depende de um fermento vivo, cuja atividade varia conforme fatores como temperatura, umidade e tipo de farinha.
“A fermentação natural não aceita atalho. O fermento é vivo, reage à temperatura, à umidade, à farinha, e cada massa tem o seu tempo. O resultado é um pão com mais sabor, mais aroma, casca crocante e melhor digestão. Na padaria, a gente acompanha tudo de perto, porque é nesse cuidado que está a diferença”, explica a chef.
Mulheres ainda enfrentam barreiras na gastronomia
Apesar da presença feminina na preparação de alimentos dentro de casa, as mulheres ainda encontram obstáculos para chegar aos principais cargos da gastronomia profissional. Segundo um levantamento da publicação internacional Chef’s Pencil citado no material, apenas 7% dos restaurantes mais renomados do Brasil têm mulheres no comando de suas cozinhas.
Outra pesquisa nacional mencionada no levantamento aponta que mais de um terço das mulheres entrevistadas que trabalham no setor de alimentação já teve sua capacidade profissional questionada por ser mulher.
Para Patrícia, o Dia Internacional do Chef também é uma oportunidade de incentivar quem deseja ingressar na área e construir uma carreira na gastronomia.
“Eu diria para não ter pressa e não ter vergonha de começar. A gente erra, corrige, aprende com quem está do lado e não para de estudar nunca. É uma profissão exigente, de muitas horas em pé e muita dedicação, mas é muito recompensadora. E a mulher que quer chegar lá consegue”, afirma.










