Em meio à turbulência gerada pelo rombo bilionário da Apex Partners — estimado em quase de R$ 1 bilhão —, duas das principais incorporadoras do Espírito Santo que mantêm parceria com a plataforma de investimentos, Nazca e Città Engenharia, correram para tranquilizar clientes, corretores e o mercado imobiliário. Em notas oficiais, as empresas afirmam que a crise não afeta a estrutura ou o andamento dos empreendimentos em que a Apex atua como investidora.
A Apex, que entrou em colapso na última semana após a descoberta de graves inconsistências financeiras, acumula um passivo de R$985,6 milhões reconhecidos em juízo e uma dívida com o Sicoob que ultrapassa os R$132 milhões.
A plataforma se tornou conhecida por conectar investidores a grandes projetos de negócios e do mercado imobiliário. Entre os empreendimentos imobiliários que tem participação da Apex Partners estão:
- Arti Design Living, na Praia da Costa, em Vila Velha, da Città Engenharia
- Parque Flora, em Jardim Camburi, em Vitória, da Sá Cavalcanti
- Youniverse e Cyan, localizados na Enseada do Suá, em Vitória, da Nazca
- MoMa Residence, em Itajaí, Santa Catarina, da Aikon Empreendimentos
- Solano, em Londrina, no Paraná, em parceria com a Montrecon Construtora
- The Only & Grafik, em Moema, São Paulo, da AAM Incorporadora
Nazca: Youniverse e Cyan seguem dentro do planejamento
Na Nazca, a relação com a Apex está restrita a dois projetos específicos: os empreendimentos Youniverse e Cyan. Em comunicado enviado a parceiros, a incorporadora destacou que a Apex não possui participação societária na Nazca e que a parceria se limita à atuação como investidora nesses empreendimentos.
A Nazca informou que, desde que tomou conhecimento dos fatos, buscou esclarecimentos junto à Apex e segue acompanhando a evolução da situação. A empresa ressalta que os empreendimentos possuem estruturas jurídicas e financeiras próprias, constituídas por meio de Sociedades de Propósito Específico (SPEs) independentes e protegidas pelo regime de Patrimônio de Afetação.
Città Engenharia: Arti Design Living não será impactado
A Città Engenharia, por sua vez, esclareceu que a Apex Partners não possui participação societária na construtora. A relação entre as empresas está restrita a um único empreendimento: o Arti Design Living, localizado na Praia da Costa, em Vila Velha.
Em nota, a construtora afirmou que o Arti Design Living possui estrutura jurídica e financeira própria, constituída por uma SPE independente e submetida ao regime de Patrimônio de Afetação. A empresa garantiu que as informações recentemente divulgadas sobre a Apex não alteram a estrutura ou a operação da Città e não impactam o andamento do empreendimento.
A reportagem também entrou em contato com as incorporadoras Sá Cavalcanti, Aikon Empreendimentos, Montrecon Construtora e AAM Incorporadora, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.
O que é o Patrimônio de Afetação
A menção ao Patrimônio de Afetação, presente em ambos os comunicados, é um mecanismo previsto em lei que garante a separação do patrimônio e dos recursos destinados à execução de cada obra. Na prática, os valores captados para um empreendimento específico ficam protegidos, não podendo ser utilizados para quitar dívidas de outros negócios. Essa estrutura jurídica é frequentemente citada por incorporadoras como uma salvaguarda para investidores e compradores em momentos de crise, pois isola o empreendimento de riscos financeiros externos.
A crise da Apex Partners
A crise na Apex Partners explodiu em 6 de agosto, quando a empresa anunciou inconsistências financeiras e afastou o fundador Fernando Cinelli e o diretor financeiro Eduardo Siqueira, acusados de gestão temerária e má-fé . O estopim ocorreu após um pedido informal de empréstimo de R$100 milhões feito por Cinelli ao BTG Pactual, que soou como um alerta para os executivos do banco .
Além do passivo de cerca de R$985 milhões, a empresa promoveu uma demissão em massa que atingiu cerca de 80% de seus funcionários. A Apex já protocolou na Justiça um pedido de tutela cautelar antecedente, uma ação preparatória para recuperação judicial que blinda seus ativos por até 60 dias . O caso está sob relatoria do juiz Marcos Pereira Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória . O BTG Pactual, que mantinha parceria de distribuição com a Apex, já rescindiu o contrato e suspendeu resgates de um fundo ligado ao grupo.










