A pressão de credores minoritários e investidores individuais sobre os rumos do Grupo Apex ganhou nova frente de articulação nos tribunais. Um grupo formado por 26 investidores, que reúne cerca de R$ 15 milhões em exposição direta em papéis e ativos da Apex, Rhino e Carbyne, protocolou pedido na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória exigindo mecanismos adicionais de transparência, governança e acompanhamento durante a fase de blindagem patrimonial da companhia.
Representados pelo advogado Lucas Judice, os investidores requerem a nomeação imediata de um observador ou monitor judicial independente, além da criação de uma Comissão Provisória de Acompanhamento de Investidores e Credores.
A iniciativa junta-se ao cerco jurídico sobre a crise do conglomerado, que já conta com determinações rígidas impostas a pedido do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), prazos de 10 dias fixados pela Justiça para a readequação das contas do grupo e medidas cautelares de bloqueio de bens e quebra de sigilo bancário contra o ex-presidente destituído Fernando Cinelli.
A petição apresentada pelo grupo ressalta que a intenção não é derrubar ou contestar o stay period — a tutela cautelar antecedente que suspendeu temporariamente execuções e cobranças contra as empresas para viabilizar uma futura recuperação judicial. O objetivo central é garantir que a paralisação das cobranças venha acompanhada de fiscalização contínua sobre as decisões patrimoniais e financeiras adotadas pela administração de transição, impedindo novos prejuízos aos aplicadores sem poder de deliberação.
Dimensão do impacto: 2,5 mil investidores e R$ 761 milhões sob risco
O grupo de 26 requerentes representa apenas uma fração da comunidade atingida pelo colapso das operações. De acordo com os dados apresentados na petição, a crise do Grupo Apex atinge pelo menos 2,5 mil investidores. O volume de obrigações sob risco é massivo: são cerca de R$ 452 milhões alocados em debêntures e R$ 309 milhões concentrados em obrigações de recompra ou operações comercialmente denominadas como cashback.
A criação da comissão e a presença do monitor judicial visam assegurar aos minoritários acesso direto às rotinas de auditoria e certificar que o patrimônio remanescente está sendo preservado para a futura reorganização do passivo e pagamento aos credores. O pedido aguarda análise do juízo da Vara de Recuperação Judicial de Vitória.










