Leilões de ferrovias atrasam para 2027; EF-118 é reprogramada, mas mantida em 2026

O plano do governo federal de leiloar oito concessões de ferrovias ao longo de 2026 sofreu fortes atrasos, empurrando boa parte dos projetos logísticos para 2027. No entanto, para o Espírito Santo, o foco está voltado para o Anel Ferroviário Sudeste (EF-118). A nova ferrovia, que ligará Santa Leopoldina, em território capixaba, ao município de São João da Barra, no Norte Fluminense (RJ), teve seu edital adiado. Inicialmente previsto para ir a leilão em junho, o projeto da ferrovia EF-118 foi reprogramado pelo Ministério dos Transportes para setembro de 2026.

O projeto capixaba possui 245,95 quilômetros de extensão em sua fase obrigatória de concessão e será construído totalmente do zero. A meta inicial do governo era movimentar uma carteira de R$ 140 bilhões em investimentos no país, somados a R$ 516 bilhões vinculados às operações dos trechos ferroviários. Contudo, ajustes técnicos na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), análises de minutas de editais e a tramitação processual no Tribunal de Contas da União (TCU) travaram o andamento dos cronogramas de todas as malhas previstas.

Extensão da EF-118 e os novos prazos do Ministério dos Transportes

Segundo o Ministério dos Transportes, a complexidade e o caráter inovador da nova política ferroviária exigiram o redesenho dos prazos para ampliar a segurança jurídica e financeira dos investidores. Apesar do adiamento geral, a pasta trabalha com a garantia de publicar o edital estratégico da ferrovia EF-118 no segundo semestre deste ano.

A lista de leilões que tentam se viabilizar ainda em 2026 inclui:

  • Anel Ferroviário Sudeste (EF-118): Ligando o Espírito Santo ao Rio de Janeiro, reprogramado de junho para setembro.

  • Corredor Minas-Rio: Em análise no TCU, reprogramado para outubro.

  • Ferrovia Malha Oeste: Trecho de 1.593 km entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, reagendado para novembro.

Outros projetos cruciais do país, como o Corredor Oeste-Leste (Fico-Fiol) e a Ferrogrão, foram empurrados para dezembro, gerando incertezas. Já os trechos da antiga Malha Sul e a extensão norte da Ferrovia Norte-Sul ficaram definitivamente para o ano de 2027.

Impacto logístico no ES e renovação de contratos com a Vale

Para analistas do setor logístico, os atrasos não surpreendem devido à necessidade de evitar leilões vazios, principalmente em trechos devolvidos que demandam modelagens financeiras atraentes para o mercado. Uma modelagem ineficaz poderia paralisar os projetos por mais dois ou três anos em novos estudos.

Enquanto os novos leilões de infraestrutura de transportes enfrentam entraves burocráticos, o governo federal conseguiu avançar em negociações paralelas que impactam diretamente a economia capixaba. Foram costurados acordos de renovação e revisão de contratos ferroviários vigentes.

Entre as negociações que avançaram estão as malhas operadas pela Vale, envolvendo a Estrada de Ferro Carajás (EFC) e a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) — corredor logístico vital para o escoamento de cargas e minério até o Complexo Portuário de Tubarão, em Vitória. Também passam por revisão contratual os ativos operados pela MRS, Rumo e pela VLI, concessionária responsável pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). (com informações da Folhapress)

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