Batata dispara mais de 100% no ano e puxa alta da cesta básica em Vitória

A batata virou a grande responsável pelo aumento da cesta básica em Vitória. Em maio, o produto registrou alta de 56,9% em apenas um mês e acumula impressionantes 109,6% de aumento desde dezembro de 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O impacto foi suficiente para elevar o custo da cesta básica da capital capixaba em 4,01% entre abril e maio, fazendo o conjunto dos 13 alimentos essenciais chegar a R$ 842,96. No acumulado do ano, a alta já alcança 15,92%, acima da inflação registrada no período.

Embora o tomate também tenha contribuído para pressionar o orçamento das famílias, com aumento de 5,51% em maio e de 130,78% no acumulado de 2026, foi a disparada da batata que mais chamou atenção. Segundo o Dieese, o encarecimento ocorreu em todas as capitais do Centro-Sul do país devido ao encerramento da chamada safra das águas e ao início da colheita da temporada de seca, o que reduziu a oferta disponível no mercado.

Vitória, inclusive, lidera o ranking nacional de aumento da batata nos últimos 12 meses. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o produto ficou 72,24% mais caro na capital capixaba, a maior elevação entre as cidades pesquisadas.

Nem tudo subiu

Apesar da pressão exercida pelos hortifrutigranjeiros, alguns produtos ajudaram a evitar uma alta ainda maior da cesta. O café em pó, item que vinha pesando no bolso dos consumidores nos últimos anos, ficou 2,75% mais barato em maio. Em 12 meses, a queda acumulada chega a 18,88%.

O açúcar cristal também apresentou recuo expressivo, de 3,48% no mês e de 21,39% em relação ao mesmo período do ano passado. Outros itens que registraram redução em maio foram manteiga (-1,86%), óleo de soja (-1,62%), arroz (-1,31%) e farinha de trigo (-0,46%).

De acordo com o Dieese, a melhora das perspectivas para a safra de café no Brasil e no mercado internacional contribuiu para reduzir os preços. Já o açúcar foi beneficiado pelo aumento da oferta e por uma demanda interna mais moderada.

Tomate entra na lista dos vilões

Se a batata lidera as altas, o tomate também preocupa. O fruto acumula aumento de 130,78% em 2026 e de 24,82% nos últimos 12 meses.

A explicação está na combinação de clima mais frio e ocorrência de pragas em áreas produtoras, fatores que reduziram a oferta e elevaram os preços em praticamente todas as capitais brasileiras.

Outro alimento que segue pressionando os consumidores é a carne bovina de primeira, que teve aumento de 1,09% em maio e acumula alta de 6,48% em um ano. Segundo o Dieese, a demanda externa aquecida e a oferta restrita de animais prontos para abate têm sustentado os preços elevados.

O avanço da cesta básica tem reflexos diretos no orçamento dos trabalhadores. Em maio, quem recebe salário mínimo precisou trabalhar 114 horas e 25 minutos para comprar os alimentos básicos em Vitória, quase cinco horas a mais do que em abril. Na prática, a aquisição da cesta consumiu 56,22% da renda líquida mensal de um trabalhador remunerado pelo piso nacional, já descontada a contribuição previdenciária. O percentual é superior à média nacional, que ficou em 52,01%.

Os números mostram que, apesar da queda recente em produtos importantes como café, açúcar e óleo de soja, a alimentação continua sendo pressionada por itens altamente sensíveis às condições climáticas e à oferta agrícola.

O resultado é que o custo da cesta básica em Vitória segue em trajetória de alta e já acumula aumento de quase 16% apenas nos cinco primeiros meses do ano, impulsionado principalmente por dois protagonistas indesejados da mesa dos capixabas: a batata e o tomate.

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