Os bastidores da política capixaba fervem com um movimento que acendeu o sinal de alerta no Palácio Anchieta para as eleições ES 2026. A ausência sistemática do deputado federal e presidente estadual do Podemos, Gilson Daniel, em eventos institucionais estratégicos do Governo do Estado, virou o principal combustível das rodas de conversa no meio político capixaba. O distanciamento do parlamentar chama a atenção de lideranças e observadores da cena local, especialmente por ocorrer em redutos eleitorais onde ele detém forte influência política, como o município de Viana e a região do Caparaó.
Os recados políticos na Feira dos Municípios e em Viana
O primeiro episódio a alimentar as especulações ocorreu durante a abertura da tradicional Feira dos Municípios. Embora Gilson Daniel tenha comparecido ao pavilhão do evento, o parlamentar optou por não subir ao palco e não integrar a solenidade oficial de abertura ao lado do núcleo duro do governo.
O movimento de isolamento voluntário se repetiu dias depois, durante a Festa do Divino, em Viana. O presidente do Podemos esteve na cidade para agendas paralelas, mas evitou participar do ato institucional comandado pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB) e demais secretários de Estado. Para bom entendedor nos corredores da Assembleia Legislativa (Ales) e do Palácio Anchieta, o recado por meio da ausência foi interpretado como um claro gesto de insatisfação.
A disputa por espaço e o avanço do PSB no Espírito Santo
Fontes de alta plumagem ligadas ao governo estadual revelam sob reserva que o pano de fundo do mal-estar é o espaço do Podemos na estrutura governamental e o avanço agressivo de pré-candidaturas do PSB à Câmara dos Deputados. O Podemos reclama de gargalos no atendimento de demandas de suas lideranças municipais e assiste com extremo desconforto à pavimentação de projetos eleitorais de nomes do PSB de Casagrande.
A mira do partido está voltada para o fortalecimento de três nomes socialistas que buscam o voto do eleitor capixaba para o Congresso Nacional:
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Emanuela Pedroso (ex-secretária de Estado de Governo);
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Freitas (ex-diretor do Departamento de Edificações e de Rodovias – DER);
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Tyago Hoffmann (deputado estadual).
O xadrez de Renato Casagrande e o futuro da base para 2026
O incômodo do Podemos ganha contornos de gravidade pelo peso histórico da sigla no arranjo governista. O partido de Gilson Daniel foi a primeira legenda a chancelar apoio formal ao grupo do Palácio Anchieta para o próximo ciclo eleitoral. Sob essa aliança, a sigla experimentou uma expansão vertiginosa, tornando-se uma das maiores forças partidárias em número de filiados e prefeitos no Espírito Santo.
Embora o Podemos evite qualquer declaração pública de rompimento, o comportamento recente de seu principal cacique é um teste de estresse para a articulação política de Renato Casagrande. Os próximos passos da legenda vão ditar se o distanciamento atual é apenas uma pressão pontual por espaços na reforma do secretariado ou o primeiro capítulo de um desembarque oficial da base aliada rumo às definições majoritárias de 2026.









