O crescimento das importações, impulsionado principalmente pela entrada de veículos de passeio e aeronaves, colocou o Espírito Santo em posição de destaque no comércio exterior em fevereiro. Ao todo, o estado movimentou US$ 1,67 bilhão (equivalente a R$ 8,82 bilhões, considerando o dólar a R$ 5,29), reforçando seu papel estratégico nas cadeias globais e como importante porta de entrada de mercadorias no Brasil.
Desse volume, as exportações responderam por US$ 675 milhões, o que representa 40,2% do total, enquanto as importações somaram US$ 999 milhões (59,8%). Na comparação com janeiro, quando a corrente de comércio foi de US$ 1,64 bilhão, houve uma leve queda de 1,9%. Já em relação a fevereiro de 2025, o desempenho foi positivo, com crescimento de 16,5%.
Os dados são do Connect Fecomércio-ES, desenvolvido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo em parceria com o Sindiex, a partir das informações do Comex Stat, sistema oficial de estatísticas do comércio exterior brasileiro.
Na análise mês a mês, as exportações apresentaram retração de 7,5%, enquanto as importações avançaram 2,2%. No comparativo anual, entretanto, ambos os fluxos cresceram: alta de 9,7% nas vendas externas e expansão mais significativa de 21,6% nas compras internacionais, contribuindo para o aumento da corrente de comércio.
No cenário regional e nacional, o Espírito Santo manteve relevância. As exportações do estado representaram 5,7% do total do Sudeste e 2,6% das exportações brasileiras. Já as importações corresponderam a 8,1% das compras externas da região e a 4,5% do total nacional.
O minério de ferro e seus concentrados lideraram a pauta exportadora, com US$ 271 milhões — o equivalente a 40,3% do total — evidenciando a forte presença das commodities minerais. Os Estados Unidos foram o principal destino, com 29% das exportações, seguidos pelo Egito (8%) e por países como Coreia do Sul, Itália e França, cada um com participação de 6%.
No campo das importações, a China se destacou amplamente, sendo responsável por 45% do total (cerca de US$ 450 milhões), seguida pelos Estados Unidos, com 18%. Essa concentração em economias industrializadas reforça a inserção do estado nas cadeias globais de produção, atuando como ponto estratégico no fornecimento de insumos para a indústria, obras de infraestrutura e o mercado interno.
Entre os produtos importados, os automóveis de passageiros lideraram, com US$ 260 milhões (26,1%). Na sequência aparecem aeronaves e outros equipamentos, que somaram US$ 171 milhões (17,2%) e registraram crescimento de 23,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Outro ponto positivo foi a melhora nos termos de troca — indicador que mede a relação entre os preços de exportação e importação. Houve avanço de 7,8% no mês, impulsionado pela valorização dos produtos exportados e pela redução dos custos de importação. Esse movimento indica ganho de poder de compra e maior competitividade internacional para o Espírito Santo.
Para o coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, os números refletem o peso estrutural das importações na economia capixaba. Segundo ele, o avanço nas compras externas, especialmente de produtos com maior valor agregado, evidencia a função do estado como uma plataforma logística nacional e elo de integração com as cadeias globais.
Spalenza também destacou que o perfil da pauta comercial ajuda a compreender esse cenário. De acordo com ele, a concentração das importações em países como China e Estados Unidos demonstra que o Espírito Santo não apenas consome, mas também redistribui insumos estratégicos para diferentes setores da economia, fortalecendo sua posição no comércio exterior brasileiro.









