Reforma Tributária muda regras da tributação de combustíveis e pode afetar o preço nas bombas

Um tema sensível e relevante para o cidadão na Reforma Tributária é o impacto que a nova legislação terá sobre o preço dos combustíveis. Com a transição para um novo sistema de arrecadação, o consumidor pode sentir, no bolso, os efeitos das alterações — especialmente no valor final da gasolina, do etanol e do diesel.

De acordo com Paulo Henrique Barbosa, mestre em Direito Constitucional e Processual Tributário pela PUC/SP, a proposta da reforma é substituir tributos já conhecidos do brasileiro, como PIS, COFINS, ICMS e ISS, por dois novos tributos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência compartilhada entre estados e municípios. No caso dos combustíveis, a tributação continuará a ser feita por um regime especial, mas com mudanças significativas no formato e na base de cálculo.

“A exemplo de muitos outros, o setor de combustíveis também será diretamente impactado pelas mudanças promovidas pela Reforma Tributária no Brasil. Com a transição para o nosso sistema o consumidor brasileiro pode sentir no bolso o efeito dessas alterações. Uma, porque se os tributos aumentarem demais, isso vai afetar diretamente o quanto o cidadão gasta para abastecer seu carro ou sua moto. Em segundo lugar, porque o aumento do custo do diesel pode impactar indiretamente o custo de outros produtos que o cidadão também compram. Combustível caro encarece frete, frete caro deixa produtos caros”, explicou o especialista Barbosa.

Veja a explicação:

Seguindo o modelo atual de alguns produtos, a nova legislação prevê que a cobrança seja realizada de forma monofásica, ou seja, concentrada em uma única etapa da cadeia comercial — geralmente na refinaria ou na usina produtora. Essa concentração tende a simplificar a apuração dos tributos e a trazer maior transparência ao consumidor, que poderá entender melhor quanto paga de imposto por litro de combustível.

Um ponto relevante do novo sistema é que a CBS e o IBS não incidirão sobre o preço final de forma percentual, como ocorrerá com diversos produtos. Em vez disso, o governo definirá um valor fixo por litro de combustível, que será multiplicado pela quantidade comercializada. Isso significa que a tributação será feita com base em um valor nominal por litro, o que pode facilitar o controle e a previsibilidade de preços.

No caso da CBS, a nova Constituição determina que a União não poderá fixar valores nominais superiores aos que já são cobrado atualmente com PIS e COFINS. Em tese, isso assegura que não haverá aumento de carga tributária federal sobre os combustíveis, o que é um alívio parcial para o consumidor.

Por outro lado, a mesma lógica não se aplica ao IBS. Para esse imposto, que substituirá o ICMS, não há nenhum limite constitucional definido, o que abre espaço para que os estados — por meio do Comitê Gestor que será criado — fixem estes valores conforme sua própria conveniência, que deverão ser uniformes em todo o território brasileiro, podendo causar desequilíbrios de região para região. 

Simplificação pode ser benéfica

Em um cenário ideal, a simplificação trazida pela Reforma pode representar ganhos operacionais para o setor e preços mais estáveis para os consumidores. No entanto, a ausência de travas para os estados e o formato ainda em fase de regulamentação deixam margens de incerteza quanto aos efeitos práticos da mudança.

A expectativa é que os novos tributos entrem em vigor de forma gradual entre 2026 e 2033. Até lá, resta acompanhar atentamente a regulamentação e os desdobramentos das decisões políticas para entender como, na prática, a reforma tributária vai afetar os preços dos combustíveis e o orçamento das famílias brasileiras.

Thauane Lima
Thauane Lima
Bacharel em Jornalismo pela UFES

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas