O Espírito Santo vive um aquecido ciclo de investimentos e a infraestrutura desponta como eixo central desse processo. Durante a apresentação da nova carteira de investimentos públicos e privados, realizada na segunda-feira (1º), o governador Renato Casagrande (PSB) destacou que rodovias federais e ferrovias estão no radar do Estado para ampliar a competitividade logística e atrair novos negócios.
A BR-259 é um dos principais pontos de atenção. Embora seja uma rodovia federal, o projeto executivo da obra já está em fase de conclusão, e o governo estadual articula com a bancada capixaba e o governo federal a inclusão de recursos para iniciar as intervenções.
“São três etapas de execução, sendo a mais adiantada a que liga Colatina até a divisa em Aimorés. Neste trecho, não há previsão de duplicação, e o DNIT já sinalizou que pode executar com recursos próprios. O Estado acompanha de perto, pois trata-se de um corredor fundamental para a integração com Minas Gerais”, explicou Casagrande.
Outra prioridade é a duplicação da BR-262, que integra a carteira de concessão da EcoRodovias e já tem investimentos em andamento. O governador ressaltou que a obra é vital para a logística do Espírito Santo, principalmente no escoamento da produção agrícola e mineral.
No campo ferroviário, o debate se concentra na ferrovia Vitória-Minas e no ramal Anchieta, promessa feita pela Vale como contrapartida da renovação antecipada da outorga. Casagrande lembrou que o compromisso foi assumido publicamente, registrado em documento do Tribunal de Contas da União (TCU), mas que a empresa tem resistido em executá-lo.
“A Vale se comprometeu a realizar esse investimento adicional, fundamental para ampliar nossa malha ferroviária. No entanto, agora tenta transferir os recursos para outro projeto em direção ao Rio de Janeiro. Esse impasse precisa ser resolvido. A Vale tem uma dívida de esclarecimento com a sociedade capixaba, porque o compromisso não foi apenas verbal, foi registrado junto ao TCU”, afirmou. Procurada, a Vale respondeu que não comentaria.
Impasse
A tensão em torno do tema cresceu nos últimos dias. Casagrande reagiu com indignação à notícia de que a Vale e o governo federal não chegaram a um acordo na renegociação das concessões das ferrovias Vitória-Minas e Carajás. O impasse, que pode até ser judicializado, coloca em risco investimentos considerados estratégicos para o Espírito Santo.
A principal preocupação do governador é com o futuro da Estrada de Ferro 118 (EF-118), especialmente no trecho de 80 quilômetros entre Santa Leopoldina e Anchieta, orçado em cerca de R$ 2 bilhões. Parte do recurso extra que Brasília negociava com a mineradora seria destinado justamente à obra.
O governo federal avalia incluir o ramal Anchieta dentro da EF-118, ampliando o edital de concessão previsto para ser lançado entre o fim deste ano e o início de 2025. Nesse formato, o traçado se estenderia da Grande Vitória até o Rio de Janeiro, integrando a nova ferrovia ao eixo já existente. Para Casagrande, a solução pode ser viável, mas não elimina a responsabilidade da mineradora.
“Independentemente do modelo, o que importa é que a obra saia do papel. O Espírito Santo precisa desse ramal para fortalecer sua vocação portuária e logística”, reforçou.
Além da agenda viária e ferroviária, o governador Casagrande chamou atenção para os aportes da Petrobras, que lidera os investimentos privados previstos para o Espírito Santo. O setor de petróleo e gás, segundo ele, continuará sendo decisivo na economia capixaba.
“O petróleo ainda é a atividade mais importante da nossa economia, e os investimentos robustos da Petrobras reforçam isso. Em outubro, a presidência da companhia estará no Estado para um encontro de engenheiros, e vamos aproveitar para aprofundar o diálogo sobre os projetos estratégicos da empresa”, adiantou.
Com investimentos totais estimados em quase R$ 138 bilhões até 2029, o Espírito Santo alcança o maior patamar da série histórica registrada pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). Parte já está em execução, parte contratada e outra em fase de oportunidade. Para Casagrande, o volume projeta confiança do setor privado e consolida o equilíbrio fiscal estadual como diferencial competitivo.
“Esse conjunto de investimentos é reflexo da organização do Espírito Santo e da confiança que transmitimos ao mercado. O resultado direto é mais geração de empregos, renda e desenvolvimento para a nossa população”, concluiu.










