O agravamento da crise de liquidez e governança no Grupo Apex atingiu em cheio suas posições no mercado de capitais. Forçada por limitações de garantias financeiras, a gestora capixaba se desfizer de aproximadamente 17 milhões de ações da CVC Brasil (CVCB3) em negociações na B3, reduzindo sua fatia na companhia de viagens de cerca de 15,5% para 11%.
A informação foi veiculada pelo jornal Valor Econômico. A movimentação atinge o coração da estratégia de expansão da Apex no mercado nacional e traz reflexos diretos na estrutura de controle da operadora de turismo.
A ação aconteceu no mesmo dia em que a operadora anunciou a mudança de sua defesa, saindo o escritório Finamore Simoni Advogados e assumindo o caso o escritório Stein e Associados, Advocacia e Consultoria Jurídica, comandado por José Carlos Stein Júnior. Stein Júnior vem a ser tio de Pedro Chieppe, casado com a irmã de sua mãe.
Falta de garantias e leilão na B3
As ações da CVC detidas pelos fundos da Apex haviam sido adquiridas por meio de operações a termo — modalidade em que a compra é acertada para liquidação futura e exige a manutenção contínua de margens de garantia.
Com a eclosão da crise na gestora, marcada pelo afastamento do fundador Fernando Cinelli, pela apuração de “inconsistências financeiras” e por um pedido de recuperação judicial com passivo estimado em R$ 985,6 milhões, a Apex perdeu a capacidade de renovar esses contratos.
Para liquidar a posição, lotes expressivos foram levados a leilão no pregão. Em uma das movimentações, um bloco de cerca de 9 milhões de ações foi colocado à venda no mercado, tendo parte sido absorvida pela gestora Absolute, que já compunha a base acionária da CVC.
Acordo de acionistas sob risco
A venda forçada coloca sob pressão o acordo de acionistas da CVC, do qual a Apex faz parte ao lado da família fundada por Guilherme Paulus. Juntas, as partes somavam cerca de 35% do capital votante.
Com a desidratação da fatia da gestora capixaba, fontes do setor financeiro indicam que a família Paulus estuda conceder um waiver (termo de renúncia/permissão) para evitar a quebra formal do bloco de controle e preservar a governança da empresa de turismo.
Obras blindadas e crise no ES
Enquanto amarga perdas no mercado de ações, a Apex tenta estancar o desgaste institucional no Espírito Santo. Em nota ao mercado, a empresa e suas construtoras parceiras garantiram que os empreendimentos imobiliários locais seguem com ritmo normal de obras, sob gestão financeira independente das incorporadoras.
A crise na gestora veio a público após auditorias internas identificarem inconsistências contábeis, resultando no afastamento da diretoria executiva e em um pedido de socorro financeiro que teria chegado a envolver tratativas informais com grandes bancos do país. O grupo segue sob a gestão interina do executivo Marcelo Murad, enquanto aguarda a conclusão dos trabalhos de auditoria externa independente.










