29 de abril é celebrado o Dia Internacional da Dança. A data convida o público a reconhecer os benefícios que o movimento traz para a saúde física, mental e emocional. Muito além do entretenimento, dançar estimula a memória, a coordenação motora, a concentração e contribui diretamente para o bem-estar.
Estudos reforçam essa relação entre dança e qualidade de vida. Pesquisadores da Universidade de São Paulo identificaram que a prática de atividades criativas pode retardar o envelhecimento cerebral. Aprender ritmos como forró, bolero e tango, favorecem o rejuvenescimento do cérebro.
Para a engenheira Letícia Cerutti, a dança é um momento de conexão e de esquecer dos problemas. “Desde que eu comecei, sinto não só uma grande diferença na minha disposição física, mas também na qualidade de vida, me permitindo ser mais presente nos momentos e me deixando afetar menos por coisas que não posso controlar. Afinal, a dança também é isso pra mim, se deixar levar”, disse.
Além dos benefícios cognitivos, a dança também é reconhecida por reduzir o estresse, melhorar o humor e fortalecer vínculos sociais. Ao unir música, movimento e interação, a atividade se torna uma importante aliada da saúde integral.
“A dança me proporciona tantos benefícios, físicos, fisiológicos e psicológicos. Ela fortalece meu corpo, melhora minha disposição, minha saúde, meu humor, minha autoestima e até minha forma de enxergar a vida. Quando danço, eu me liberto do cansaço, das preocupações, do estresse. Sinto diferença todos os dias”, relata a técnica de enfermagem Láize Emanuelle.
O professor Antônio Carlos Moraes, coordenador da pós-graduação em Ensino da Dança da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e diretor da Companhia Dança Andora, destaca é a essência mais pura da dança: resposta às provocações do ambiente. “Nosso corpo precisa de ritmo. Quando o perdemos, entramos em processo de estresse. Bater o pé no chão enquanto espera o ônibus ou ninar uma criança são formas de buscar o equilíbrio perdido”, diz o professor.
História: dança como código de conduta
Instituído em 1982 pelo Comitê Internacional da Dança da Unesco, a data não foi escolhida ao acaso; é uma homenagem ao nascimento de Jean-Georges Noverre, o mestre francês que revolucionou o balé no século XVIII. Mas, para além das sapatilhas de ponta e dos grandes palcos, o que a dança representa para o cidadão comum e para a estrutura da nossa sociedade?
O professor Antônio Carlos Moraes explica que cada passo executado em uma sala de aula ou em uma festa carrega séculos de história, política e, surpreendentemente, estratégias de segurança pública.
Quando imaginamos Luís XIV, o Rei Sol, no luxo do Palácio de Versalhes, dificilmente associamos seus bailes a uma estratégia policial. No entanto, o professor Moraes revela que a sistematização da etiqueta — e consequentemente do balé — nasceu de uma necessidade de sobrevivência da nobreza. “A etiqueta era uma tentativa de produção de normas sociais para garantir a segurança pública”, explica o professor.
Naquela época, assassinatos por envenenamento e atentados contra a vida dos monarcas eram riscos constantes em grandes aglomerações. Ao criar códigos de comportamento e danças com passos extremamente complexos e pré-determinados, Luís XIV criou um filtro biométrico humano. “Se você vai a uma festa e não sabe se posicionar, não conhece a coreografia ou não sabe manusear a taça de vinho da forma correta para evitar os sedimentos de veneno, você é imediatamente identificado como alguém que não pertence àquele grupo. Você é o penetra, o infiltrado, o perigo”, pontua Moraes.










