Maria Tereza Samora
Maria Tereza Samora
Especialista em performance cognitiva emocional. Psicopedagoga Clínica com formação neuromudalação, mentora de vestibulandos e acadêmicos, educadora parental, treinadora de inteligência emocional para crianças e adolescentes, mãe, palestrante e empreendedora.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

Quando a matemática deixa de ser descoberta e vira medo

É curioso observar: muitas crianças gostam de matemática nos primeiros anos da escola. Contar, somar, brincar com números… tudo parece fazer sentido.

Mas, em algum momento, geralmente ali por volta do 5º ou 6º ano, algo muda.

Os problemas ficam mais abstratos… e aquilo que antes era leve passa a gerar insegurança. E, muitas vezes, até aversão.

E eu fico pensando: quantas vezes essa criança já escutou antes mesmo de chegar ali?
“Agora que vai complicar…”
“Você vai ver quando chegar na matemática de verdade…”

Às vezes, ela nem teve dificuldade ainda… mas já está com medo.

Eu mesma vivi isso. Gostava de matemática por um tempo, mas lembro claramente do momento em que comecei a ter dificuldade. E o sentimento mudou. E talvez aqui esteja um ponto importante: nem sempre é falta de capacidade. Muitas vezes é falta de compreensão.

A matemática é uma aprendizagem sequencial. Se uma base não foi bem construída, a criança vai acumulando lacunas… até que chega um momento em que tudo começa a fazer menos sentido.

Para aprofundar esse olhar, conversei com uma profissional que admiro muito, a neuropsicopedagoga Sara Mattos, que atua com dificuldades matemáticas persistentes e discalculia. Segundo ela, é importante entender que nem toda dificuldade é discalculia. Muitas vezes, o que vemos são lacunas de aprendizagem, metodologias pouco acessíveis, ansiedade ou até fatores emocionais.

Ela explica que a matemática exige uma base bem estruturada e que, quando isso não acontece, a criança pode parecer ter uma dificuldade maior do que realmente tem. E isso aparece com muita força justamente no 5º e 6º ano.

Como ela mesma trouxe: “Nesse momento, a matemática deixa de ser concreta e passa a exigir mais abstração, linguagem simbólica e múltiplas etapas de raciocínio.”

Ou seja, não é que a dificuldade começa ali… ela se torna visível ali.

Outro ponto muito importante que ela destacou é sobre o ensino da matemática. Muitas vezes, o foco está na repetição mecânica, na pressa de avançar conteúdo… mas sem construção de sentido. A criança até pode repetir um cálculo, mas não entende o que está fazendo. E o que não é compreendido, não se sustenta.

E aí vem o estresse. A frustração. O “eu não consigo”.

Mas o que mais me chamou atenção na fala dela foi isso: “Na maioria das vezes, a criança não odeia a matemática. Ela odeia o que sente quando entra em contato com ela.”

E isso muda tudo. Porque quando conseguimos olhar para como a criança está pensando, e não só para o erro, a história começa a ser diferente.

E isso também é um convite para nós, pais.

Antes de pressionar, antes de comparar, antes de dizer “isso é fácil”… talvez a pergunta seja outra: meu filho está entendendo ou só tentando decorar?

Sara também orienta que os pais podem ajudar de forma simples no dia a dia, trazendo a matemática para situações reais: compras, jogos, pequenas contas, experiências leves. Sem pressão. E, principalmente, evitando falas que aumentam a frustração, como comparações ou cobranças excessivas.

E quando buscar ajuda?

Segundo ela, o quanto antes. Quando a dificuldade é persistente, não adianta esperar. Um olhar especializado pode fazer toda diferença, não é reforço escolar, é compreender o funcionamento daquela criança. Porque, no fim, aprender matemática não é apenas acertar contas. Mas sim, construir raciocínio e desenvolver confiança.

E quando a criança entende… algo muito bonito acontece: ela volta a acreditar que é capaz.

E talvez essa seja a maior mudança de todas. Porque aprender não é repetir. Aprender é trazer sentido.

E quando há sentido, a matemática fica mais acessível… e pode voltar a ser prazerosa.

E como eu sempre digo: mentes saudáveis criam um mundo melhor.

Maria Tereza Samora
Maria Tereza Samora
Especialista em performance cognitiva emocional. Psicopedagoga Clínica com formação neuromudalação, mentora de vestibulandos e acadêmicos, educadora parental, treinadora de inteligência emocional para crianças e adolescentes, mãe, palestrante e empreendedora.

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