Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 13 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE), representou o Brasil em eventos internacionais como dirigente empresarial. Avô de Davi e Elisa.
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Você julga as pessoas? E se os outros julgassem você?

Julgar. Uma palavra simples, mas carregada de peso. No dicionário, significa formar opinião, avaliar, decidir. Mas, hoje, julgar virou mais do que isso: na maioria das vezes, virou condenar sem conhecer, rotular sem entender, atacar sem refletir.

Psicologicamente, o julgamento raramente fala sobre o outro — fala sobre nós. É projeção, insegurança, comparação. Como dizia o psicoterapeuta Carl Jung, o que nos incomoda no outro pode revelar o que não resolvemos em nós. Julgar é, muitas vezes, mais fácil do que encarar as próprias falhas.

Mas por que julgamos tanto?
Porque é confortável. Porque cria uma sensação ilusória de superioridade. Porque é mais fácil apontar o dedo do que estender a mão.

E o mais grave: julgamos pessoas que não conhecemos, histórias que não vivemos e decisões que nunca tivemos que tomar.

Basta um recorte, um vídeo curto, uma manchete — e pronto: já temos uma opinião, um veredito, um culpado.

Isso se intensifica quando falamos de pessoas de sucesso. Empresários, artistas, atletas. Pessoas que geraram valor, impacto e resultados — admiradas até o primeiro erro. E então, de forma cruel, o aplauso vira crítica. A admiração vira ataque.

E algo ainda mais inquietante: há quem sinta prazer nisso. Prazer em ver alguém cair, perder ou falhar. Como se o erro do outro aliviasse a própria frustração. Como se a queda alheia validasse seus próprios insucessos e dificuldades.

Não é à toa que se diz que, no Brasil, o sucesso incomoda.

Mas aqui vai uma pergunta incômoda: você realmente acredita que alguém possa construir uma trajetória sem errar? Uma vida ativa exige decisões constantes — e errar faz parte do processo humano.

No ambiente corporativo, isso é evidente. Líderes são julgados por decisões difíceis. Empreendedores são criticados por riscos que poucos assumiriam. Profissionais são rotulados por um erro, ignorando anos de acertos.

E o julgamento destrói culturas. Ele sufoca a inovação e paralisa pessoas. Ninguém ousa onde há condenação. Se acerta, era obrigação. Se erra, vem a crítica e a punição.

Como alertam os filósofos Clóvis de Barros Filho, Mario Sergio Cortella e Leandro Karnal, julgar sem compreender é um atalho intelectual — muitas vezes, arrogância. Pensar exige esforço. Julgar é imediato.

Na Bíblia, o ensinamento é claro:
“Não julgueis, para que não sejais julgados.” (Mateus 7:1)
O critério que você usa para julgar será usado contra você.

Os gregos já refletiam sobre isso. Sócrates, considerado o pai da filosofia ocidental, defendia: antes de julgar o outro, conheça a si mesmo. O preconceito — o pré-conceito — nasce da ignorância e da pressa.

Vivemos uma era em que todos têm voz, mas poucos têm responsabilidade. As redes sociais amplificam julgamentos. A polarização política transforma divergência em ataque. E, muitas vezes, o erro alheio vira entretenimento e até mesmo comemoração.

Agora, pare e reflita:
Você acha justo julgar alguém que você não conhece?
É justo apagar uma trajetória inteira por um erro?

A sua vida é perfeita?
E se alguém expusesse em público seus erros, suas decisões, suas falhas… você suportaria?

Talvez o problema não seja apenas o julgamento, mas a falta de empatia, consciência e humildade para reconhecer que todos somos imperfeitos.

Julgar é humano.
Compreender é evoluir.

E talvez esteja na hora de evoluirmos.

Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 13 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE), representou o Brasil em eventos internacionais como dirigente empresarial. Avô de Davi e Elisa.

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Comentários
  1. Li o texto com atenção e concordo com um ponto central: julgar, hoje, tem sido muito mais sobre condenar do que compreender.

    Mas, no campo em que atuo e acredito, esse tema ganha uma outra camada.

    Na perspectiva das práticas restaurativas, o problema não é apenas o julgamento em si, mas o que ele produz nas relações.

    O julgamento rompe vínculos, cria distâncias, cristaliza rótulos e impede qualquer possibilidade de reparação.

    Quando alguém erra, a pergunta não deveria ser “quem é o culpado?”, mas sim:
    o que aconteceu, quem foi impactado e como podemos, juntos, cuidar disso?

    Essa mudança de lente é profunda.
    Ela desloca a lógica da punição para a lógica da responsabilidade compartilhada e da reconstrução de relações.

    Porque, na prática, ninguém é só o erro que cometeu.
    E ninguém aprende verdadeiramente quando é apenas condenado.

    Se somos espíritos em constante processo de evolução, o erro deixa de ser um fim e passa a ser um instrumento de aprendizado.

    Julgar, nesse sentido, revela não só nossas sombras, como o texto bem coloca, mas também nossa dificuldade de exercer a caridade em sua forma mais exigente:
    a caridade moral, que é a indulgência para com as imperfeições alheias.

    Precisamos reconhecer que todos estamos em diferentes estágios de desenvolvimento e que aquilo que hoje apontamos no outro, ontem já esteve em nós e, talvez, ainda esteja.

    Isso não significa ausência de responsabilidade.
    Pelo contrário. Significa responsabilizar com humanidade.

    Entre a condenação e a omissão, existe um caminho mais exigente:
    o do diálogo, da escuta e da reparação.

    E é nesse caminho que acredito.

    Porque uma sociedade que apenas julga se distancia da transformação.
    Mas uma sociedade que escuta, responsabiliza e reconstrói… essa, sim, educa.

    Talvez o convite não seja apenas parar de julgar.
    Mas aprender a cuidar das relações quando o erro acontece.

    E isso exige coragem, consciência e, sobretudo, humanidade.

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