O recuo de Marcos Do Val e a busca por espaço eleitoral no cenário capixaba

O anúncio do recuo do senador Marcos do Val (Avante) de sua pré-candidatura ao governo do Espírito Santo para focar na tentativa de reeleição ao Senado ilustra a dinâmica complexa de sua trajetória política. Eleito em sua primeira disputa eleitoral em 2018, o parlamentar capixaba encerra seu primeiro ciclo de oito anos no Congresso em meio a rearranjos partidários e uma postura que divide opiniões no eleitorado de direita.

A oscilação partidária e a janela político-eleitoral

A trajetória de Marcos do Val em Brasília é marcada por significativas mudanças de rota ideológica e partidária:

  • Chegada ao Poder (2018): O parlamentar conquistou sua cadeira no Senado filiado ao PSB (Partido Socialista Brasileiro), uma sigla historicamente de centro-esquerda. Naquele pleito, impulsionado pela onda de renovação e por seu histórico como instrutor de segurança, obteve votação expressiva.

  • Transição ao Centro-Direita: Posteriormente, rompeu com a linha política inicial e migrou para o Podemos, partido pelo qual exerceu a maior parte do seu mandato, integrando blocos de oposição à esquerda e alinhando-se gradualmente a pautas conservadoras.

  • Ingresso no Avante: Na última janela partidária, após ensaiar movimentos em outras legendas da direita e enfrentar resistências em partidos tradicionais do espectro conservador, o senador consolidou sua filiação ao Avante, partido pelo qual atualmente busca estruturar seu projeto de reeleição.

O episódio com o PL e a consulta digital

A tentativa de lançar seu nome ao Palácio Anchieta (governo estadual) evidenciou os ruídos de articulação dentro da própria direita capixaba: Ao propor seu nome ao governo, Do Val declarou que a articulação havia sido combinada em reunião com o senador Magno Malta, presidente estadual do Partido Liberal (PL). A declaração, no entanto, foi desmentida publicamente por Malta, que sinalizou a falta de alinhamento prévio da sigla para um projeto majoritário conjunto naqueles termos.

Diante do impasse com lideranças regionais, o senador utilizou sua principal ferramenta de engajamento — as redes sociais, onde acumula mais de 1,6 milhão de seguidores só no Instagram — para balizar seus próximos passos. A partir do resultado de enquetes virtuais com seu público-alvo, que apontaram a preferência por sua continuidade no Legislativo, ele formalizou a desistência do Executivo. A narrativa adotada reforça um posicionamento de “independência”, buscando afastar sua imagem de oligarquias partidárias tradicionais.

Ao optar por disputar uma das duas vagas em jogo para o Senado pelo Espírito Santo, Marcos do Val entra em uma disputa pulverizada. Ele tentará converter seu expressivo volume de seguidores digitais em votos reais, medindo a força de seu recall político contra novas candidaturas do campo governista e da própria direita tradicional, que hoje marcham em raias separadas no estado.

Um mandato sob holofotes e polêmicas

O mandato de Marcos do Val ficou marcado por forte presença midiática e embates jurídicos e institucionais, que pesam tanto como capital político quanto como vidraça eleitoral:

  • Inquéritos e Redes Sociais: O parlamentar foi alvo de operações e investigações sigilosas no Supremo Tribunal Federal (STF), chegando a ter contas em redes sociais suspensas temporariamente por decisões judiciais.

  • Discurso Anticorrupção vs. Isolamento: Enquanto seus apoiadores enxergam suas manifestações e denúncias nas redes como um enfrentamento legítimo ao Judiciário e ao sistema político, analistas e opositores apontam que o estilo confrontador acabou por isolá-lo de grandes coalizões no Espírito Santo, dificultando o trâmite de pautas regionais de peso.

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