Estratégia majoritária: como as mulheres viraram ponto central nas chapas de Pazolini e Ferraço

A corrida pelo comando do Espírito Santo ainda não passou pelo crivo formal das convenções partidárias, mas o xadrez de bastidores no tabuleiro capixaba já opera em ritmo de xeque-mate. Longe dos holofotes, as articulações para a sucessão ao Palácio Anchieta revelam um movimento silencioso, cirúrgico e altamente estratégico focado na composição das chapas majoritárias. Em um cenário de extrema polarização, a escolha de quem ocupará a vaga de vice-governador deixou de ser mera barganha de tempo de TV para se transformar em uma poderosa engenharia eleitoral. Em 2026, o fiel da balança atende por um perfil específico: mulheres com forte apelo em nichos estratégicos.

Se os desenhos de bastidores se confirmarem, tanto o grupo liderado pelo ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), quanto o núcleo do vice-governante Ricardo Ferraço (MDB) marcham para construir palanques onde a presença feminina tem alvos muito claros: capturar o eleitorado majoritário do Estado — as mulheres representam mais de 51% dos votantes capixabas — e neutralizar as principais vulnerabilidades geográficas e históricas de cada candidatura.

No entorno do ex-prefeito da capital, o desenho de chapa ganhou contornos nítidos nas últimas semanas. A vaga de vice na coligação do Republicanos está reservada ao PSD, e o nome que desponta com força avassaladora é o da médica oncologista Lívia Vasconcelos, primeira-dama de Colatina. Casada com o deputado federal e presidente estadual da sigla, Renzo Vasconcelos, Lívia oferece uma combinação cirúrgica para o projeto que busca quebrar o teto de vidro da Grande Vitória.

O fator capilaridade no interior

É consenso entre analistas políticos que o grande desafio de Lorenzo Pazolini é a interiorização de seu nome. Embora ostente liderança consolidada na Região Metropolitana, falta-lhe a chamada capilaridade no interior do Espírito Santo. É aqui que Colatina entra como polo geopolítico estratégico do Noroeste:

  • A narrativa da saúde: Lívia agrega o peso social da medicina oncológica, um apelo emocional fortíssimo junto ao eleitorado.

  • A bênção de PH: Nos bastidores, a costura tem o selo de incentivo do ex-governador Paulo Hartung (PSD), que atua como um dos grandes fiadores intelectuais da postulação de Pazolini ao Executivo estadual.

Interlocutores garantem que a médica já sinalizou positivamente para a missão. Corre por fora o experiente ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon, um nome de densidade eleitoral inquestionável no Norte. Contudo, o simbolismo e o diálogo direto com o voto de opinião feminino pesam hoje a favor da médica colatinense.

Ricardo Ferraço: O fantasma de 2017 e o escudo da Segurança Pública

Se no campo da oposição a escolha feminina visa a expansão territorial, no quartel-general governista de Ricardo Ferraço o cálculo político assume contornos de sobrevivência e reposicionamento de imagem.

Aliados de Ferraço reconhecem, sob rigoroso sigilo, que o maior flanco aberto da candidatura governista continua sendo a associação ao legado de Paulo Hartung e, consequentemente, a dolorosa memória da greve da Polícia Militar de 2017. O episódio, que paralisou o Espírito Santo, é frequentemente ressuscitado por adversários nas redes sociais para desgastar o grupo junto às forças de segurança e seus familiares.

Capitão Andressa: a neutralizing force

Para estancar esse sangramento e erguer uma barreira de proteção na área da segurança, ganha força o nome da Capitão Andressa, quadro respeitado do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo. A indicação de Andressa cumpre três funções vitais na planilha governista:

  1. Diálogo com a Tropa: Amortece a rejeição histórica ao “hartunghismo” dentro dos quartéis.

  2. Equilíbrio Partidário: Consolida o espaço do Progressistas (PP) dentro da robusta federação União-Progressistas, que dá sustentação ao Palácio Anchieta.

  3. Contenção Ideológica: Trava o avanço da oposição sobre o eleitorado de direita ligado à segurança pública.

O mosaico governista e o veto à esquerda

A montagem do palanque governista é um quebra-cabeça complexo que abriga MDB, PP, União Brasil, Podemos e PDT. Havia quem defendesse o nome do ex-prefeito da Serra, Sergio Vidigal (PDT), para a vice. No entanto, estrategistas do Palácio Anchieta avaliaram que a entrada do cacique pedetista empurraria a chapa de Ricardo Ferraço para uma zona de proximidade com a esquerda — um movimento que Ferraço faz questão de evitar para não afugentar o eleitorado conservador do agronegócio e do mercado financeiro capixaba.

A engenharia política capixaba demonstra que, em 2026, ninguém será escolhido para compor chapa apenas por cotas ou simbolismo estéril. A presença feminina nas candidaturas majoritárias tornou-se um ativo de pragmatismo eleitoral puro.

Enquanto Lívia Vasconcelos representa interiorização, o apelo da saúde e a conquista do voto feminino do interior para Pazolini, a Capitão Andressa sintetiza a pacificação com a segurança pública e a blindagem de crises passadas para Ricardo Ferraço. A verdadeira batalha pelo Palácio Anchieta já começou, e as armas mais poderosas de cada lado estão prestes a ser anunciadas.

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