Durante muito tempo, a menopausa foi cercada pela ideia de fim. Fim da vida reprodutiva, da juventude e, em uma visão que hoje sabemos ser bem ultrapassada, até de uma determinada forma de ser mulher.
Não por acaso, muitas gerações atravessaram essa fase em silêncio, convivendo com sintomas e transformações que pareciam simplesmente fazer parte de uma realidade com a qual era preciso se conformar, aceitar e viver, sem nenhum suporte.
O passar dos anos, a evolução da medicina, a longevidade e as mudanças socioculturais, no entanto, mostraram o grande equívoco dessa visão do ponto de vista social, médico e até cronológico.
Se vivemos cada vez mais, a menopausa acontece, então, no meio do caminho, quando ainda há décadas pela frente para trabalhar, amar, viajar, aprender, fazer planos, rever escolhas e construir novos projetos.
E é, nesse sentido, que a menopausa, como o marco que representa na vida da mulher, pode ser começo.
Começo de uma nova fase que traz mudanças, exige atenção, suporte e autoconhecimento, mas que pode trazer novas e positivas experiências como qualquer outra fase da vida.
Sabemos o quanto as transformações hormonais desse período podem ser significativas. Com a redução do estrogênio, podem surgir ondas de calor, alterações do sono e do humor, mudanças na composição corporal e outros sintomas. A longo prazo, essa mudança também merece atenção pelos impactos sobre ossos, músculos, metabolismo e saúde cardiovascular.
Cada mulher, no entanto, atravessa essa transição de uma maneira. Algumas apresentam poucos sintomas; outras têm sua qualidade de vida bastante afetada. E um dos avanços mais importantes das últimas décadas foi justamente a compreensão de que não é preciso simplesmente “suportá-los” e que podemos – e devemos – falar sobre isso.
Hoje, há diferentes caminhos para cuidar desses sintomas. A terapia hormonal pode ser uma alternativa para algumas mulheres, após avaliação individual, e existem opções não hormonais. Alimentação equilibrada, atividade física, sono de qualidade e atenção à saúde emocional também fazem parte desse cuidado.
A menopausa pode ainda ser uma oportunidade para olhar para a saúde de forma mais ampla. Pressão arterial, colesterol, glicemia, massa muscular, saúde dos ossos, prevenção e saúde sexual e emocional ganham ainda mais importância quando pensamos em longevidade.
Não basta, afinal, acrescentar anos à vida. É preciso pensar em como viver esses anos preservando autonomia, capacidade funcional, vínculos, interesses e qualidade de vida.
Vale trocar a ideia de perda pela de transição. O corpo muda, os hormônios mudam e os cuidados também precisam mudar. Mas desejos, projetos e possibilidades não têm data para terminar. Podemos, inclusive, parafrasear o poeta: “porque se chamavam mulheres, também se chamavam sonhos. E sonhos não envelhecem”.
Se há cada vez mais vida pela frente, a menopausa pode ser exatamente isso: mais um começo.
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