Liderança: a capacidade de fazer e inspirar o extraordinário

Há 60 anos, o pastor batista Martin Lutter King Jr. liderou a grande marcha de Selma à Montgomery pelos direitos civis dos negros norte-americanos. A mobilização no Alabama era um novo capítulo na história de luta pelo fim da segregação racial nos Estados Unidos – e culminou com a assinatura da Lei dos Direitos de Voto, pelo presidente Lyndon Johnson, em agosto de 1965.

Dois anos antes, em seu discurso mais célebre, na capital americana, King disse a frase que o tornaria um ícone mundial: “I have a dream…”. A Marcha sobre Washington de 1963 foi o ponto alto de um movimento que tinha em Martin Lutter King. Jr. o seu baluarte. O líder é aquele que realiza coisas extraordinárias, que sintetiza um ideal e marca o seu tempo e os de futuras gerações – cada um a seu modo e no seu contexto.

Nós, capixabas, também tivemos (e temos!) os nossos. Um deles foi Christiano Dias Lopes Filho, que governou o nosso estado de 1967 a 1971, e criou, por exemplo, a Companhia de Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo (Codes), que mais tarde se tornaria o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo(Bandes). Também devemos a ela a criação do Centro Industrial de Vitória (Civit). Christiano seria, ainda, com maestria, procurador-geral do Estado.

O saudoso Gerson Camata, governador de 1983 a 1986, deixou a marca da ousadia na construção de rodovias ligando municípios do interior, facilitando a locomoção de pessoas e a produção do campo. Entregou, ainda, o Tancredão e o Sambão do Povo. Max Mauro concluiu a Terceira Ponte e, em sua gestão (1987-1991), foi implantado o Sistema Transcol, pelas mãos do então secretário de Planejamento, Albuíno Azeredo, que também governaria o Espírito Santo, de 1991 a 1995.

Renato Casagrande, entre outros pontos, teve a audácia e a visão, ainda em 2011, de botar de pé um programa revolucionário de enfrentamento à violência: o Estado Presente em Defesa da Vida. Com enfoque em três eixos (infraestrutura, proteção social e proteção policial), mudou a história do nosso estado – e isso não é mera força de expressão.

O Espírito Santo fechou 2024 com 892 homicídios, o melhor resultado desde o início da série história, em 1996. Em 2009, por exemplo, haviam sido 2.034 casos. Não há o que comemorar, enquanto uma vida for subtraída, mas nós, capixabas, precisamos reconhecer que estamos no caminho certo e podemos sonhar mais alto – pois líder é aquele que faz e inspira o extraordinário.

Júnior Abreu
Administrador
Atual Secretário-chefe da Casa Civil do ES

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