A civilização perdida dos líderes imperfeitos

A civilização perdida dos líderes imperfeitos

Numa constante evolução e quebras de paradigmas, muito ouvimos dos líderes, dos chefes, dos liderados, dos times, dos grupos, dos colaboradores, dos funcionários.

São muitas as pessoas que nalgum momento do dia ou da semana, sentem um vazio interno do que chamo a solidão do líder. Durante minha jornada como membro de times, como liderado e como líder, tenho escutado: “em mim cabe pensar o tudo”, “não tenho colaboração do meu time”, “preciso focar mais tempo para cuidar da estratégia da empresa”, “não acho que seja o momento de delegar”.

Há uma falsa percepção e criação de expectativas sobrepostas, de que o líder é o responsável por salvar uma empresa, por fazer com que exista uma mudança radical de conceitos e resultados, de que o líder precisa fazer um pouco do tudo, resolver o que não está certo e rápido, ter todas as respostas corretas e, além disso, ter tempo para tudo e para todos. Mas, isso vem de uma cultura criado de forma hispânica, onde enxergam a figura do líder de uma forma idealizada, como uma pessoa na imagem de um super-herói.

Esta imagem de deus, não é visto unicamente pelas pessoas redor, ela é revista pelo próprio líder que ocupa a posição, já que ele mesmo usufruiu dela enquanto era liderado. Esta falsa percepção traz consequências drásticas na hora de julgar ao líder por parte do time. Expressões como: “Não deveria ter feito…”; “Como líder teria que…!”; “Um líder não pode de jeito algum…” e por aí vão as incontestáveis frases que ouvimos por aí.

Existe uma profunda reflexão sobre “o líder perfeito” como condição ao status de ser líder. Existem alguns pontos que vale a pena ressaltar quando a gente enxerga isto desde uma visão ontológica:

Primeira análise: quando foi condicionado de que o líder é quem deve sempre fazer bem as coisas? Quem estipulou essa atribuição e responsabilidade, visto que os cenários possíveis, as decisões e ações a serem tomadas, sempre têm vários pontos de vista, tantos quanto as pessoas envolvidas, quem é a pessoa ou grupo de pessoas que definiria o que é correto?

Segunda análise: pode haver pessoas perfeitas? Definir que alguém é perfeito significaria matar a evolução. Vamos pensar que algo fundamental e excitante sobre o líder é sua imperfeição e sua aceitação. Isso nos define mais como seres humanos. Todas as pessoas têm medo, todos nós vivemos experiências dolorosas, todos temos carências e dificuldades … Todos falhamos, todos erramos e todos temos a opção de recomeçar. É essa mesma imperfeição que nos faz desafiar, aprender, recomeçar, mostrar nossa coragem para seguir em frente. Mas, fundamentalmente, é a imperfeição que nos torna especiais e que nos permite aprender, aprofundar e construir com critérios baseados na experiência.

O que me levou a escrever sobre este assunto, foi a pergunta feita durante minha aula de inglês, “é o fracasso nosso professor ou nosso coveiro?” isto me levou a pensar que muitas vezes a gente enxerga o fracasso como uma perda, como algo ruim, porém é o fracasso que nos mostra nossa imperfeição como seres humanos e é essa imperfeição que nos ajuda a compreender e ter empatia com os outros. É o ponto de partida que nos impulsiona a sonhar, pois se fôssemos perfeitos não poderíamos aspirar a algo maior do que nós. Isso nos permite ser criativos e colaborar uns com os outros até chegarmos a coisas inimagináveis. É o que define e enriquece nossa marca como ser humano.

Só quem tem coragem de aceitar sua imperfeição, de aprender com as falhas e enxergar elas como passos para uma jornada de crescimento, é capaz de ser um líder que aceita e entende a imperfeição. É a sua luta para ser cada vez melhor que lhe permite ter paciência para ajudar os outros no seu desenvolvimento. É a experiência da própria vulnerabilidade que proporciona a capacidade de ouvir frequências que os outros não ouvem e de causar um impacto fora de si mesmo. Quando um líder inspira é porque ele se conecta com os outros, cria pontes com a originalidade imperfeita dos outros.

Portanto, o líder perfeito é imperfeito e está em constante caminho de aprimoramento, de análise da pessoa que está sendo em todos os momentos, e vai mais além. Ele é alguém que está tirando máscaras – e não falo das atuais em tempos de COVID (risos) – e que brilha em autenticidade. Isso pede desculpas. Isso é humilde. Isso é valorizado nessa imperfeição.

Nenhuma mudança pode ocorrer se não houver verdadeira abertura e boa vontade para embarcar nela.

E você… que tipo de líder gostaria de ser?

Fabrizio Gutierrez
Fabrizio Gutierrez
Fabrizio Gutierrez, mexicano, capixaba de coração. Administrador de Empresas com MBA Internacional em Gestão de Projetos pela Universidade Irvine da Califórnia e pela FVG, tem certificação em PMP, DPO e CHO. Professor convidado de pós-graduação da FAESA. Atualmente é Head de Operações, Cultura e Pessoas do LiftBank.

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