Passageiros encaram trens lotados e gastam com carro de app no 2º dia de greve dos ferroviários em São Paulo

A greve deflagrada pelos ferroviários na terça-feira (4) tem obrigado trabalhadores da Grande São Paulo a pagar do próprio bolso viagens por aplicativo até estações de trem onde o serviço funciona. Sem isso, dizem, não chegariam a tempo no serviço nesta quarta (5), segundo dia de paralisação.

Os ferroviários reivindicam a manutenção dos empregos de todos os trabalhadores da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) , mesmo com a concessão dos ramais à iniciativa privada. Eles também protestam contra a concessão das linhas e as falhas apresentadas pela Trivia Trens após a empresa assumir as linhas que eram da CPTM.

O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) sustenta que o movimento tem cunho político, e não trabalhista.
O fluxo de trens na Grande São Paulo está em sua maioria parado. Quem precisa se deslocar do ABC Paulista por meio da linha 11-coral, por exemplo, precisa tentar a sorte num ônibus do Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência), para cujo embarque há filas intermináveis segundo trabalhadores.

Para evitar o atraso a solução é pagar uma viagem de aplicativo até a estação Guaianases, que por volta das 5h30 já estava superlotada.
O problema, diz o morador de Suzano Daniel da Silva Correa, 27, é que dói no bolso.
Ele pagou R$ 60 numa viagem até Guaianases para a partir dali seguir viagem até Santana, onde trabalha. “Ontem eu nem consegui ir. Mas hoje preciso. Se não a empresa manda embora”, afirmou.

A reportagem esteve na estação Guaianases desde a abertura do terminal e viu dezenas de pessoas chegando até o local por transporte de aplicativo.
Na linha 11-coral, o maior fluxo se concentra nessa estação, para onde são direcionados os passageiros da Grande São Paulo que chegam de ônihus por meio do sistema Paese.

Os trens lotam assim que chegam ao local e continuam o trajeto sem que passageiros que o aguardam em outras estações consigam embarcar.

Nem todos os passageiros são contra a greve. “Eles estão no direito deles. Não tem muito o que fazer”, diz o mecânico Fábio Fagundes, 35. Morador de Poá, ele trabalha no Ipiranga e pagou R$ 35 para chegar até a estação de trem. A situação, para ele, precisa ser resolvida.

Também de Poá, a técnica em enfermagem Ana Ribeiro Martins, 40, precisou fazer o mesmo. Conseguiu um desconto no aplicativo e a viagem saiu por R$ 35. “Um absurdo”, afirmou.

Há empresas que arcam com os custos. Morador de Mogi das Cruzes, o manutencista Leandro Siqueira, 38, só foi ao serviço no primeiro dia de greve porque a empresa onde trabalha pagou pela viagem via transporte de aplicativo. Foram R$ 200 para ir e R$ 270 para voltar. Seu emprego fica em Campo Belo.

Nesta quarta o cenário mudou. “Hoje pagaram apenas metade do caminho”, disse à reportagem enquanto esperava o próximo trem na estação Itaquera, zona leste da capital.

Quem passou aperto no primeiro dia de greve decidiu sair mais cedo nesta quarta para evitar qualquer atraso.
Com uma maleta nas mãos, o advogado tributarista Jackson Martins, 38, chegou à estação de Itaquera por volta das 7h, duas horas mais cedo do que o habitual, justamente por causa da greve.
Ele trabalha na Barra Funda e em hipótese alguma poderia chegar atrasado: tem uma audiência às 10h, afinal. “Melhor não ter problema.”

A expectativa é que o sindicato dos ferroviários e o governo voltem à mesa de negociação nesta quarta. Às 12h é prevista uma reunião no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), onde as reivindicações serão novamente tratadas. Às 17h é esperada uma nova assembleia da categoria para deliberar sobre a continuidade do movimento grevista.

São Paulo, FolhaPress – André Fleury Moraes

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