Uma ata de assembleia geral realizada em dezembro de 2025, obtida com exclusividade por ES Hoje, revela os bastidores numéricos e a composição do capital social da Apex Partners. A revelação dos dados ocorre em meio a uma grande crise da instituição, fundada em Vitória no ano de 2013, que recentemente anunciou o afastamento de seus principais executivos por “inconsistências financeiras”.
Afastados de suas funções pelo Conselho de Administração após apurações do Partnership, o presidente Fernando Antonio Kulnig Cinelli e o diretor financeiro (CFO) Eduardo Siqueira concentram uma fatia expressiva das ações ordinárias da empresa.
O raio-X do capital social da Apex
De acordo com o documento oficial ao qual a reportagem teve acesso, o capital social da Apex Partners é de R$ 10.709.597,18, dividido em mais de 5,7 milhões de ações ordinárias, precificadas a R$ 56,05 cada.
Os dois executivos pivotais no escândalo detêm o controle de grande parte desse volume acionário:
| Acionista / Entidade | N° de Ações Ordinárias | Relação com a Companhia |
| Fernando Cinelli e Eduardo Siqueira | 750.259 | Ex-Presidente e Ex-CFO (Afastados) |
| ABM Partnership Investimentos e Part. S.A. | 31.428 | Empresa em sociedade entre Fernando e Eduardo |
| VCP – Vitória Capital Participações S/A | 40.377 | Representada por Frederico Luiz Bobbio Lima |
| DUE Capital S.A. | 27.457 | Fundo/Empresa sócia |
| Pedro Chieppe | 8.921 | Acionista individual |
Ecossistema de R$ 17,5 bilhões à contratação de auditoria e medidas criminais
Nos últimos anos, a Apex Partners ergueu um ecossistema com mais de R$ 17,5 bilhões em ativos sob influência ou gestão, com presença consolidada no Espírito Santo, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e operações em Portugal.
A expansão acelerada contou com aquisições estratégicas, como a Alphamar Investimentos, Propósito Capital (RS), Potenza Investimentos (SP), Stark Investment Banking, Redoma Capital (SP) e a combinação de negócios com a Contea Capital (gestora de FIDCs).

A empresa não revelou os motivos de iniciar uma investigação interna e nem o real valor do “rombo”. Em comunicado apenas confirmou o desligamento do comando e a contratação de uma auditoria externa para passar a limpo as contas:
“A Apex Partners informa que, após apurações preliminares feitas por lideranças do Partnership, foram identificadas inconsistências financeiras na Companhia. […] O conselho de administração afastou imediatamente Cinelli da presidência e Eduardo Siqueira da diretoria financeira. […] Estão sendo adotadas também medidas para garantir responsabilização cível e criminal diante dos fatos.”
Com a vacância, a presidência interina foi assumida por Marcelo Murad, sócio sênior com mais de 25 anos de experiência no mercado.
Posição dos parceiros e órgãos reguladores
A crise na Apex Partners reflete diretamente em grandes atores do mercado financeiro nacional:
BTG Pactual: Sócio estratégico desde 2022 e principal parceiro institucional da Apex — que atua como um dos maiores escritórios de assessoria e wealth management da rede —, o banco informou por nota que não vai comentar o caso.
CVM (Comissão de Valores Mobiliários): O órgão regulador esclareceu que “acompanha e analisa informações e movimentações no âmbito do mercado de valores mobiliários brasileiro, tomando as medidas cabíveis”. Contudo, destacou um ponto central: a Apex Partners não possui registro para atuar nos mercados regulados pela CVM, nos termos da Lei 6.385/76.
MPES (Ministério Público do Espírito Santo): Informou que, até o momento, não foi formalmente acionado sobre os fatos.










